Noite. Madrugada quente.
Diálogo único. Palavra unipresente.
Salão cheio de pessoas, cheio de sonhos,
flutuantes. Mãos bocas, linguas,
sentimentos soltos.
Eu... tava, você, também... e todos os outros.
até você, você mesmo. Não se faça de bobo.
Começamos um esfrega-esfrega sem fim,
de prazer divino mas de modo muito
"humano"... cara a cara, boca a boca, peito a peito...
continuando...
ficou sério... olhei a minha volta
todos riam, um risada frenética...
parece que todos sentiam
a mesma coisa patética...
Esquentou, tirei a blusa
o esfrega-esfrega melhorou.
e foi esquetando cada vez mais até
que ele foi sumindo, fugindo,
de mansinho e acordei...
E antes mesmo de abrir os olhos...
percebi que abraçava o meu travesseiro...
(aquele que sempre dorme sozinho ao meu lado)
A minha boca disse, sem pensar
em voz alta e revoltada:
Filho da mãe, me escapou, outra vez.
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