Ao cair da tarde,
sua lembrança chega na sala,
como um vento de chuva...
Fecho todas as janelas,
quero-a durante a noite toda.
Esqueço a porta aberta,
vejo seus olhos vagar lentamente
por todas as coisas da casa...
depois a lembrança corre
(vagarosamente para a varanda)
A sigo e consigo, apesar do cansaço
Sento-me na velha cadeira de balanço,
as mãos sobre os seus braços,
me enlaço um pouco...
Procuro-te,
na luminosidade do escuro e te vejo
arrastando com dificuldade, a outra velha cadeira:
A tua. Permaneço no meu lugar,
Tu vens com a velha cadeira,
traz-a para muito perto da minha,
e depois tu sentas
pegas minha mão em silêncio.
Não nos lembramos quem fomos um dia,
nem mesmo quem somos agora,
Não sabemos o nome da cidade, daquele mar,
daquele céu... sabemos que estamos juntos...
olhos nos olhos, por muitos e muitos incontáveis dias.
Na nossa frente o mar,
seu trovejar de alegrias noturnas,
e a lua, a se banhar,
nas espumas, nas brancuras dos sonhos...da gente.
A lua a se banhar,
seus cabelos de nuvens escuras mergulham no mar,
depois surge entre as ondas,
redonda a brilhar,
seus cabelos fios de luz fazem veu,
a lua surge, pouco a pouco
subindo as escadas do céu...
Estamos juntos
o que importa tantas portas,
se seguirmos juntos.
Por um instante me perco
no teu olhar...
e te escondi dentro dos olhos...
a cadeira vazia no canto da varanda,
a lua brilha no mar...
Bem longe lá dentro do mar,
vejo tuas duas brancas e enormes mãos
a jogar as águas das ondas na lua,
a água redonda brilha
tua sombra cintila, sibila,
teu beijo chega na varanda,
me encontra só... esperando, esperando...
ainda estás vivo
na memória do meu futuro.
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