Entre os dedos o carretel
Po legar legado indicador.
O carretel é uma coisa clara,
seu furo não tem escuro
tudo se vê de qualquer lado,
o fio tem saída e tem entrada.
No carretel está tudo ordenado:
a linha não dá nó
e se enrola e desenrola só.
Não tem mistério seu estado.
Mas o fio este sim
tem um obscuro passado.
Feito de água dentro
de uma vida plantada.
E água meu Deus
que vida líquida, vaporosa e solidificada
percorre caminhos jamais imaginados...
entra pelo linho da linha sagrada,
e sai a se bestiar entre os lodados.
sobe ao céu sem asas para voar
pernas para escalar,
combina com o ferro e o coração solda
se aprisiona num labirinto de sonhos e molda
emoldura finas artérias,
de elaboradíssima matéria,
feita da graça da terra.
e um dia nos campos a água floresce,
em flores brancas que brancas mãos
das remotas mulheres tecem,
da flores do algodão...e a linha surge,
parece nova, costura as vestes,
dos animais mais pobres...
que pela terra cresce...
porque nascem nús não trazem pelos
como vestes.
o carretel imita a vida,
não tem vida passada,
a linha bem definida,
tem uma vida enrolada.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Assinar:
Postar comentários (Atom)
A lua
A lua do céu a mesma lua da terra, levanta as águas dos mares, atira contra as pedras. A lua, as ocultas ou as claras invade as janelas d...
-
A minhoca não arreda o pé da terra bailarina clássica, de música inaudível entranhada na sua alma de puro barro. Dança, salta, não tira o...
-
Cuidado na hora de subir para não cair da escada nem derrubar as estrelas. Uma estrela quando cai, chora, se apaga e vai embora, ...
Nenhum comentário:
Postar um comentário