A mágica.
O mestre talhou,
sem um único fio de existência,
sem comprobação de qualquer ciência,
sem olhar de admiração ou complascência.
Largou impúbere sobre um solo adverso,
a sorte do ser. A vida tão bela,
no prazer, tão repudiava na desordem,
tão facil de consertar nas obras de arte,
nas letras dos cultistas e ocultistas...
da filosofia e da gramática
tão perfeita em sua matemática.
Tão castigada e punida pelos mestres
da sabedoria, dos livros escritos, dos martelos malditos...
a vida, tão esfarrapada e mendiga,
tão cheia de glorias e mandingas...
de loucas e eternas fadigas..
com seus pilares e vigas,
em suas paredes ambulantes escritas
inscrições de um parentesco brutal
e um comprometimento fatal,
com tudo que por aqui se vê
com tudof que por aqui se vive.
Se há vida melhor, pode se almejar,
planejar, esbravejar, atacar com armas armadas,
com armadas armas...
Pode se cobiçar um paraiso,
de uma precisa invenção, talhado nos livros ou nas pedras,
lavrados a mão, ou a máquinas...
pode se tudo..
só nada se pode contra a dinâmica do planeta:
é onde o ser descrito
se enclausura em casulo
e põe toda sua suposta grandeza,
numa simples, frágil,
asa de borboleta!
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