domingo, 17 de novembro de 2013

Quando minha mão...

Tenho um instante
 apenas um instante
de pura  lucidez
minha mão remexe o tempo passado
outra vez.

e neste mais lúcido momento
vejo com absoluta precisão
faz 50 anos que nadam ali os mesmos
filhotes de peixes...no mesmo buraco de água
que fica num  canto d chão!!!!
O meu Deus
por onde andou meu coração?

lá estão os pássaros,
pousados no mesmo galho da mesma árvore
na beira do mesmo lago...ensaiando
o canto da revoada,
daquela mesma branca manhã!!!!

larga a precisa precisão:
ainda alargo
lá estão os mesmos peixes,
ainda nadam
no mesmo lago...
no mesmo instante
de 50 anos atrás no mesmo buraco de chão!

Veio o raio, a claridade  o trovão
uma chuva de prata
que brilha na mão:

aguando as plantas no mesma bocado  de chão

Ah, o mesmo trigo, a mesma mão
 a mesma fome
do mesmo delicioso pedaço de pão!!!!





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 Grata pelo carinho da presença. Mais de  vinte países, este mês, visitou poemas sem fronteiras. Fico feliz que todos estejam bem.