A autora é personagem multi facetado.
Não é duas caras, nem dupla personalidade,
Uma vez que seus personagens são seus, são muitos:
Explica-se as suas atitudes, conferindo-lhe um
amplo leque de atividades mentais, ela precisa,
todo escritor precisa, todo poeta ou pintor ou cantor,
precisa e tem! Só assim se é plenamente agraciado com
a arte.
A autora entretanto, é senhora
de muitas histórias vivas,
porque tudo que ela escreve tem
uma outra metade, não apenas inspirada ou imaginada,
mas tem outra metade fatal
de faces carnais e atuação real,
que de um modo ou de outro
partilha cada ponto de toda a história
que ela contou e contará.
Isto torna a autora esquiva às vezes...
como revelar certas coisas se por traz destas certas coisas
há muitos corações...
muitos olhos e pensamento ativos e vivos,
Então as histórias são imaginativas,
mas sentimentos não o são.
e por mais que a autora se esquiva
toda história tem no mínimo duas grandes metades.
A autora quer ser generosa e se aproxima
de seus personagens com o coração aberto,
quer conhecê-los melhor,
sondá-los mais de perto,
Seus personagens são vivos, alguns são completamente
estranhos da própria autora,
e mesmo com o intenso convivio
mente a mente, atos a atos, fatos...
pode se tornarem incríveis.
A autora os descreve assim:
São peixes, simplesmente peixes,
todo tipo de peixes no oceano
pesco os maiores e os melhores,
não os como, os admiro, os amo.
"Meus personagens são peixes, portanto suas atividades
me são de fato desconhecidas. Dou-lhes um texto,
mas não lhes subtraio a vida!
A Rota da autora:
Ter a felicidade e graça de tocar com a arte,
a emoção de milhares de pessoas pelo mundo.
De despertar pessoa e arte,
como um caminho possível, um caminho novo.
Pessoa e arte que se expresse,
Além de qualquer parafernalia necessária,
existe em cada ser o bosque mágico das borboletas,
e sua eterna criança neste bosque
ainda brinca, ainda vive ainda sonha.
Esta é a rota da autora,
encontrar seus personagens,
distribuir suas caixinhas mágicas,
mesmo que aparentemente vazias,
elas farão a diferença!
E para isto a autora conta com um dos melhores elencos do mundo,
São pessoas e não há distância
real que separe a autora destas
pessoas porque elas fazem a maior e a mais bela parte
desta história.
E você já encontrou maria melo um dia?
Qual é sua história?
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
O magíco - caixa na mesa - conto - maria melo - Brasil Paraná
O mágico andava pela rua.
Sua figura exótica chamava atenção.
Mascarado... um arco íris sobre os olhos...
estrelas pelas faces e roupas medievais.
Poderia jurar que era uma figura (figurativa)
Era o mágico.
Existe todo tipo de mágico.
entre o falso e o verdadeiro
Mas todos são mágicos.
Nas suas mãos um maço de panfletos...
Ficava parado olhando as pessoas
que vinham... De repente,
ele lhes estendia um planfleto que dizia:
Quer ganhar um presente?
Não é sorteio, não é bingo, não é loteria,
não precisa acertar nada,
nem se inscrever ou escrever qualquer parada!
basta caminhar alguns passos, abrir uma porta
e esperar um pouquinho do seu dia!
Vá até o endereço x... entre, sente-se, espere.
Você ganhará um presente.
Ah, por falar no presente, quero dizer
que não tem limite de valor o tal presente,
seja lá o que for, você ganhará.
De verdade mesmo você precisa tempo e boa vontade
1) para ler o panfleto
2) caminhar um pouco e pensar
3) esperar um pouquinho
4) não ter medo de outras pessoas... pois haverá outros lá. Todos desconhecidos.
E quando alguém de vocês perceber que
está bem cheio o local, não houver nem uma cadeira vazia
vem aqui me chama.
Entregarei os presentes.
O panfletinho era muito bonitinho.
Os curiosos o leram ou os atenciosos.
e mais crentes e sinceros foram
no local que ficava realmente alguns passos onde o mágico estava.
A porta aberta umas pessoas pediam o panfleto
para que eles pudessem entrar...
e rapidamente o local estava cheio de gente
todos querendo presente,
ou todos muito curiosos e atenciosos.
Tão logo não houve mais cadeiras...
alguém decidiu que poderia esperar em pé, assim mais pessoas seriam premiadas
naquele dia.
E foi chegando cada vez mais gente.
O que você quer ganhar...?
Um banner atravessa a sala grande.
E as pessoas conversavam umas com as outras,
todas se explicando o porque precisariam
de ganhar algo...
quais eram suas necessidades,
algumas muito graves, outras superficiais,
necessidades esdrúxulas
cada qual precisa de coisas comuns e diferentes para se tornarem pessoas felizes...
porém se nada ganhassem continuariam vivendo suas vidas!
Finalmente chegou o mágico.
Entrou alegre, dançando, aquelas músicas
que só toca para o mágico.
Todos vocês aqui, acreditam que são merecedores de um grande presente?
Claro! se não acreditassem não estariam aqui!
Ele mesmo respondeu sua pergunta.
Abram as cortinas: E as cortinhas se abriram...
centenas de caixas empilhadas
Ele disse: cada um ordenadamente e com calma
pegue uma caixa para si.
Podem escolhar... mas pegue apenas uma,
do tamanho que desejarem.
O povo levanta-se rapidamente se move
na direção das caixas... Foram pegando.
- Não abram as caixas, por enquanto!
E quem for pegando suas caixas pode ir saindo, por favor.
Mas curiosamente qualquer caixa era muito leve.
Percebia-se claramente,
que nada havia nas caixas.
Até que alguém desobedeceu a ordem e abriu em público sua caixa:
Não há nada aqui!
Exibiu para todos e todos o imitaram
Abriram e concluiram: Nada... Nada, nada vezes nada!
Cadê o presente, gritaram em coro,
Uma revolta sincera nas vozes, pareciam de fato, muito crentes
naquela estranha brincadeira.
O mágico não perdeu seu cuidado:
Pois é, eu disse para não abrir as caixas, aqui!
Seria constrangedor... ninguém precisa
saber qual é o seu presente.
Mas já que abriram vou explicar:
Receberão o presente quando tiverem em suas casas.
Conversa... você nem pegou o endereço da gente...
E porque nos mandaria um presente...
se quisesse o daria agora!
Meu amigo, já disse que receberá em casa, e por favor
pode ir, confia, não há problema nenhum!
Bom, nada se podia fazer mesmo...
só ir embora com a caixa vazia.
A caixa era muito bonitinha! Ninguem a jogou fora,
até mesmo aquelas maiores, as grandonas...
sairam pela cidade nas costas dos seus senhores.
Ficou engraçado, a situação
aquele monte de gente todos com caixas semelhantes,
só os tamanhos eram diferentes.
Um leitor da autora estava no meio da multidão,
afinal sempre há um leitor em todos os contos,
Este leitor era um malabarista.
pegou uma caixa pequena, bem pequena, quadrada,
menor que uma caixa de sapato.
A intenção dele era ganhar
um bela e cara jóia para sua amada,
Afinal todas as amadas pensam em jóias.
e quem dá jóias nunca será esquecido
Bem lembrado e muito esperado!
Caixinha bonitinha pensou ele: Foi examiná-la melhor!
Ah, tem um escrito aqui:
De fato, apareceram umas letrinhas que diziam:
"Caixinha mágica" "O que linda, pelo menos vou guardá-la
de recordação deste dia que além de malabarista também fui palhaço"
O povo todo se conversou muito lá dentro
enquanto esperava o mágico,
trocaram telefones, emails, endereços, informações,
e até alguns ficaram muito amigos, amigos íntimos
por causa de sua peculiaridades.
O malabarista foi pegando a caixinha como seu fosse
um de seus objetos de trabalho,
foi girando-a na ponta dos dedos,
e a caixinha foi mudando de cor, de forma,
de brilho e fazendo isto no meio da rua,
no meio de todas pessoas
que foram se encantando com o malabarista.
E rapidamente havia uma multidão
o aplaudindo... Que coisa linda!
Que caixinha fantastica.
E caixinha rolou de seus dedos,
abriu a tanpinha e povo a encheu de dinheiro.
Ele colocou o dinheiro no bolso
e beijou beijou e abraçou a caixinha no peito!
Ele percebeu que muita gente queria
ser malabarista e ter uma caixinha mágica daquelas...
É claro que não bastava ser malabarista,
não bastava só qualquer caixa,
tinha um quê muito especial entre ele e ela!
O espetáculo foi realmente muito simples
muito gracioso e muito grandioso!
O dinheiro que ganhou também era muito!
Que felicidade este agraciamento.
Todos levaram suas caixas para casa,
todos viram a inscrição "caixa mágica"!
E todos acreditaram em algo especial.
E colocaram sua caixas no lugar mais seguro em suas casas.
Tal qual faziam as crianças.
Mas durante muito tempo nada aconteceu...
não chegou nenhum presente,
nada apareceu nas caixas,
eles as examinavam diariamente, confiantes,
que algo aconteceria.
E você meu caro leitor já olhou sua caixa mágica hoje?
Ou ainda nem encontrou seu mágico, pelas ruas?
Fique atento, eu conto mais a qualquer momento!
Sua figura exótica chamava atenção.
Mascarado... um arco íris sobre os olhos...
estrelas pelas faces e roupas medievais.
Poderia jurar que era uma figura (figurativa)
Era o mágico.
Existe todo tipo de mágico.
entre o falso e o verdadeiro
Mas todos são mágicos.
Nas suas mãos um maço de panfletos...
Ficava parado olhando as pessoas
que vinham... De repente,
ele lhes estendia um planfleto que dizia:
Quer ganhar um presente?
Não é sorteio, não é bingo, não é loteria,
não precisa acertar nada,
nem se inscrever ou escrever qualquer parada!
basta caminhar alguns passos, abrir uma porta
e esperar um pouquinho do seu dia!
Vá até o endereço x... entre, sente-se, espere.
Você ganhará um presente.
Ah, por falar no presente, quero dizer
que não tem limite de valor o tal presente,
seja lá o que for, você ganhará.
De verdade mesmo você precisa tempo e boa vontade
1) para ler o panfleto
2) caminhar um pouco e pensar
3) esperar um pouquinho
4) não ter medo de outras pessoas... pois haverá outros lá. Todos desconhecidos.
E quando alguém de vocês perceber que
está bem cheio o local, não houver nem uma cadeira vazia
vem aqui me chama.
Entregarei os presentes.
O panfletinho era muito bonitinho.
Os curiosos o leram ou os atenciosos.
e mais crentes e sinceros foram
no local que ficava realmente alguns passos onde o mágico estava.
A porta aberta umas pessoas pediam o panfleto
para que eles pudessem entrar...
e rapidamente o local estava cheio de gente
todos querendo presente,
ou todos muito curiosos e atenciosos.
Tão logo não houve mais cadeiras...
alguém decidiu que poderia esperar em pé, assim mais pessoas seriam premiadas
naquele dia.
E foi chegando cada vez mais gente.
O que você quer ganhar...?
Um banner atravessa a sala grande.
E as pessoas conversavam umas com as outras,
todas se explicando o porque precisariam
de ganhar algo...
quais eram suas necessidades,
algumas muito graves, outras superficiais,
necessidades esdrúxulas
cada qual precisa de coisas comuns e diferentes para se tornarem pessoas felizes...
porém se nada ganhassem continuariam vivendo suas vidas!
Finalmente chegou o mágico.
Entrou alegre, dançando, aquelas músicas
que só toca para o mágico.
Todos vocês aqui, acreditam que são merecedores de um grande presente?
Claro! se não acreditassem não estariam aqui!
Ele mesmo respondeu sua pergunta.
Abram as cortinas: E as cortinhas se abriram...
centenas de caixas empilhadas
Ele disse: cada um ordenadamente e com calma
pegue uma caixa para si.
Podem escolhar... mas pegue apenas uma,
do tamanho que desejarem.
O povo levanta-se rapidamente se move
na direção das caixas... Foram pegando.
- Não abram as caixas, por enquanto!
E quem for pegando suas caixas pode ir saindo, por favor.
Mas curiosamente qualquer caixa era muito leve.
Percebia-se claramente,
que nada havia nas caixas.
Até que alguém desobedeceu a ordem e abriu em público sua caixa:
Não há nada aqui!
Exibiu para todos e todos o imitaram
Abriram e concluiram: Nada... Nada, nada vezes nada!
Cadê o presente, gritaram em coro,
Uma revolta sincera nas vozes, pareciam de fato, muito crentes
naquela estranha brincadeira.
O mágico não perdeu seu cuidado:
Pois é, eu disse para não abrir as caixas, aqui!
Seria constrangedor... ninguém precisa
saber qual é o seu presente.
Mas já que abriram vou explicar:
Receberão o presente quando tiverem em suas casas.
Conversa... você nem pegou o endereço da gente...
E porque nos mandaria um presente...
se quisesse o daria agora!
Meu amigo, já disse que receberá em casa, e por favor
pode ir, confia, não há problema nenhum!
Bom, nada se podia fazer mesmo...
só ir embora com a caixa vazia.
A caixa era muito bonitinha! Ninguem a jogou fora,
até mesmo aquelas maiores, as grandonas...
sairam pela cidade nas costas dos seus senhores.
Ficou engraçado, a situação
aquele monte de gente todos com caixas semelhantes,
só os tamanhos eram diferentes.
Um leitor da autora estava no meio da multidão,
afinal sempre há um leitor em todos os contos,
Este leitor era um malabarista.
pegou uma caixa pequena, bem pequena, quadrada,
menor que uma caixa de sapato.
A intenção dele era ganhar
um bela e cara jóia para sua amada,
Afinal todas as amadas pensam em jóias.
e quem dá jóias nunca será esquecido
Bem lembrado e muito esperado!
Caixinha bonitinha pensou ele: Foi examiná-la melhor!
Ah, tem um escrito aqui:
De fato, apareceram umas letrinhas que diziam:
"Caixinha mágica" "O que linda, pelo menos vou guardá-la
de recordação deste dia que além de malabarista também fui palhaço"
O povo todo se conversou muito lá dentro
enquanto esperava o mágico,
trocaram telefones, emails, endereços, informações,
e até alguns ficaram muito amigos, amigos íntimos
por causa de sua peculiaridades.
O malabarista foi pegando a caixinha como seu fosse
um de seus objetos de trabalho,
foi girando-a na ponta dos dedos,
e a caixinha foi mudando de cor, de forma,
de brilho e fazendo isto no meio da rua,
no meio de todas pessoas
que foram se encantando com o malabarista.
E rapidamente havia uma multidão
o aplaudindo... Que coisa linda!
Que caixinha fantastica.
E caixinha rolou de seus dedos,
abriu a tanpinha e povo a encheu de dinheiro.
Ele colocou o dinheiro no bolso
e beijou beijou e abraçou a caixinha no peito!
Ele percebeu que muita gente queria
ser malabarista e ter uma caixinha mágica daquelas...
É claro que não bastava ser malabarista,
não bastava só qualquer caixa,
tinha um quê muito especial entre ele e ela!
O espetáculo foi realmente muito simples
muito gracioso e muito grandioso!
O dinheiro que ganhou também era muito!
Que felicidade este agraciamento.
Todos levaram suas caixas para casa,
todos viram a inscrição "caixa mágica"!
E todos acreditaram em algo especial.
E colocaram sua caixas no lugar mais seguro em suas casas.
Tal qual faziam as crianças.
Mas durante muito tempo nada aconteceu...
não chegou nenhum presente,
nada apareceu nas caixas,
eles as examinavam diariamente, confiantes,
que algo aconteceria.
E você meu caro leitor já olhou sua caixa mágica hoje?
Ou ainda nem encontrou seu mágico, pelas ruas?
Fique atento, eu conto mais a qualquer momento!
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
O vale das crianças e o bosque das borboletas - conto Maria Melo - Paraná - roteiro para cinema um filme de amor

Todos os leitores... não digo quantos são...
se lembram da aldeia... o sitio do Senhor diretor...
onde se fez a filmagem da cena de amor entre
Lord C e a quase princesa Madame B
da subida até o lago, dos homens da cidade
que invadiram a aldeia... da quase princesa afogada,
do seu sumisso e por fim da dispersão dos
atores todos e dos personagens.
De verdade eles não sumiram...
cabe à autora o atributo de controlar seus personagens...
assim ela procedeu.
Mas de vez em quando topa com um ou uns por aí:
Estes dias passados a autora andava
pelas ruas, distraidamente quando lhe apareceu o Senhor Diretor,
com seus cabelos em pé e suas ideias em pânico!
Derrubou-lhe um olhar de censura:
Como pode deixar às soltas pelo mundo, personagens tão mágicos...
e se eles se confundirem com a realidade,
Podem causar aborrecimento
ao andamento da carruagem!
A autora ignorou o comentário mental!
Voltamos ao sítio, à aldeia... um quase paraíso,
mas com o pecado original... no original.
As crianças sempre foram um grande problema!
Devem elas permanecerem puras, livres da contaminação,
da realidade mundana até a fase adulta?
Esta pergunta é feita agora porque na aldeia
ninguém gostaria de perguntar ou responder isto,
porque a natureza é um grande espelho mágico,
não esconde, não aumenta, não inventa,
Não tece tramas fedorentas e interesseiras.
As crianças da aldeia iam para o vale,
onde ficava todo o arsenal de filhotes... de bichos e de gente.
até muitas plantas especiais ficavam lá,
sob a guarda de pessoas adultas
que zelavam por elas.
Todos os dias, amanhecia e as crianças iam para o vale,
tinha rio, cachoeira, filhotes de muitos bichos,
frutas, muitas plantações especiais... e elas bem cedo
haviam de se interessar pela vida
e sua intereção.
A autora confessa que nunca viu
lugar tão lindo assim,
mais que muito lindo... a autora não fotografou, não filmou...
Ela promete que o leitor verá!
Ela convida: cate uma cadeira bem leve,
e sobe uma escada invisível,
encontre uma nuvenzinha qualquer
cuide para escolher um lugar onde o vento sopre suave...
Sente-se, sinta-se em casa,
em sua pequena nave e comece a viajar...
Vamos ver o vale, o rio, vamos ouvir as crianças brincando,
lembre onde tem crianças brincando, sempre chega mais uma correndo,
pois esta que vem correndo,
com os olhos esverdeados reflectindo as matas
e o brilho das águas... é você leitor.
Vem correndo ver o bosque das borboletas,
fragmentos de arcoiris nas mãos das crianças pequenas,
que carregam suas almas em algazarras e serenas.
Veja leitor 10 borboletas coloridas em cada metro quadrado
de vida. Vejas-as dançando, num silêncio
mágico de uma música inaudível.
Corra junto com todas as crianças, em volta de seus sonhos,
toque-os sem medo de acordar
as borboletas do bosque e as crianças do vale,
sempre estarão lá, naquela pequena aldeia...
isto está muito longinquo!
mas você há de alcançar.
Agora minha pequena criança de olhos esverdeados de matas e de águas,
veja aquela coruja grande, branca e sonolenta
no topo da árvore. Passou a noite atenta,
agora vem cochilar com a algazarra da criançada.
E a coruja não sente inveja, é totalmente linda,
mas adora ser benvinda no bosque das borboletas,
onde brinca a criançada.
Ali ela está como sempre esperando o leitor chegar,
criança que sonha no bosque do vale não se engana jamais
sabe construir seu dia de paz,
na floresta ou na parte descampada.
E quando você ver o bosque das borboletas... me diga,
estamos próximos um do coração do outro,
é onde a autora pretende chegar!
terça-feira, 18 de agosto de 2009
João Perna de Cipó - conto Maria Melo - Brasil Paraná - roteiro para cinema um filme de amor
João Brasileiro, meio branco, meio indio, meio negro!
Menino que não é gente pra nada,
nem documento tinha... vivia às margens da cidade,
às margens da floresta... às margens de tudo.
Seus pais eram tão velhos,
que ele acreditava ser filho das filhas deles.
Alguma travessa avessa que tivesse fugido dali
e o tivesse abandonado.
Menino sim de boas pernas, boas passadas,
nenhum pensamento na cabeça lhe vinha
sobre o futuro, qualquer que fosse!
Nenhum futuro sobre ele,
nem em livros de histórias, nem no registro.
e nos dias que se seguiam!
Todos por ali eram muito velhos e abandonados,
gente que não conta, não pesa, não opina,
não precisa de nada. Gente triste, mas gente viva.
e dolorida.
Portanto João perna de cipó tinha que procurar
comida para seus pais avós...
Se enfiava cada vez mais para dentro da floresta,
...Ôh lugar assustador para qualquer mortal,
creio que até os Deuses a temem!
Parece linda aos olhos de uma filmadora,
que vai penetrando pelo seu interior... e vendo penas
gritos, mistérios, sobresaltos, cachoeiras,
lagos... riozinhos, riozão! montanhas, buracos,
pântanos, meu Deus, como descrever um pequeno matagal que vi...
Assim, João aprendeu a andar mais alto, pelos galhos,
para evitar as pedras do caminho e os precipicios.
aprendeu com os passarinhos, Joãozinho era leve,
assobiava enquanto passeava pelas copas das árvores,
Não era Tarzan, nem mesmo parente longiquo,
era só um menino de beira de mata.
Algum tempo atrás joão perna de cipó
buscava remedios raros para seu grupo de pessoas velhas
era bom nisto, bastava lhe explicar que tipo de flor,
de folha, de fruto, de caule, de raiz que j0ão
aparecia com elas.
O povo dizia que Joãozinho era pagezinho!
que quando crescesse seria médico ou pagé!
Que nada João queria mesmo era voar!
E voou! da infância para a fase adulta,
quase sem percebeu João perna de cipó virou um homem,
16 anos de vida, uma vasta experiência,
muita ciência e boa consciência
Mas seu povo pequeno que fosse lhe dava muito trabalho,
Tinha que arrumar uns bichos pra eles comer,
ninguém vive só de remédio...
precisa também se alimentar...
Eles queriam carne. Carne fresca!
Os avós amarelados que estavam, fracos, quase moribundos
se encontrassem um bom assado,
ficaram fortes, outra vez... alegres depois
de uma refeição bem saudavel de muitas proteinas...
Que sonho! Se bastasse uma só vez... ele João já teria caçado o bicho!
mas hábito? todos os dias de sua vida?
A verdade é que João nunca ignorou os velhos
da aldeia saiam e voltavam arrastando algum bicho
pelas pernas, depois festavam alegremente!
E faziam isto sempre que conseguiam.
Chegou finalmente a hora,
João decidiu caçar um bicho para levar para os velhos pais...
Entrou na floresta cheio de maus pensamentos,
sorrateiramente, andando pelas árvores,
procurando um bicho pra matar.
Ele sempre fora moleque, moleque sempre faz malvadeza
portanto nunca foi inocente. Mas matar um bicho
grande parecia meio macabro.
Ninguém quis conversa com João naquele dia,
os bichos bem que suspeitavam,
... Qualquer hora este garoto se revolta contra nossa vida,
e fim... deixa de ser um garoto bonitinho,
pra ser inimigo!...
O Jovem tinha se desanimado com a sorte de se tornar um caçador
Melhor mesmo era ser médico pagé... levar folhas, sementes,
raizes... nada de carne, nada de bicho arrastado pelas pernas...
Ele não confessa mas sabe que fome doi tanto
no predador quando no imolado.
Assim o desejo começa tomar forma...
e de repente uma grande búfala salta a sua frente,
investe contra o garoto,
que corre para lá e para cá, mas a búfala
não desiste do jovem,
o persegue ferozmente...
ele confronta aquela vida, simplesmente
num canto pequeno do mundo,
onde ele não tem saída.
Uma luta invisível, sem socorro, sem grito,
sem ajuda parece até injusta,
A búfala o provoca quer levá-lo
até as portas da morte,
de qualquer um dos dois!
Mas João perna de cipó acaba
por derrotar a búfala...
que morreu, assim, pelas mãos de um meio menino,
um quase homem, ou um homem menino.
Estava mortinha, deve ter morrido do coração,
Por que afinal naquela floresta
nunca ninguém tinha visto aquele João!
Virou homem, o João perna de cipó,
Queria carregar a caça, levá-la para seus pais avós.
Afinal aquele foi um grande sacrifício,
e talves o único que João faria.
Tentou arrastar o bicho de todo modo,
o bicho parecia colado no chão.
Alguma coisa no meio dos arbustos chamou atenção:
Era um lindo filhote, filhote da búfala.
João se encantou com o bichinho tão novinho
e até se esqueceu da morta!
Sentou-se próximo ao filhote
e pela primeira vez João teve o que pensar:
Matei o bicho e agora
não consigo carregar!
O bicho vai estragar... e os pais avos continuam a amarelar!
João perna de cipó volta para a aldeia
levando consigo o bufalozinho órfão!
Ao chegar na aldeia contou o que tinha
acontecido na floresta...
matara a mãe do bufalozinho, pobrezinho!
por isso o trouxe...
quanto à morta: Estava lá precisava de ajuda,
para devorar a búfala.
Assim se reuniu o povo mais forte
da aldeia e foi buscar a búfala morta
Depois de um tempo voltou
com as carnes do bicho, eles voltaram fazendo festa,
se reuniram e comeram por varios dias
a carne daquele animal,
João percebeu que matá-la sozinho podia
devorá-la só, não conseguiria!
João também descobriu que é importante
cuiidar do sustento... apesar do contrasenso!
João é um lider... ele caça e distribui...
sua fortaleza é a própria natureza,
não é bondade, é inteligência.
Hoje há uma manada de búfalos em qualquer geladeira!
e João perna de cipó não existe mais!
Menino que não é gente pra nada,
nem documento tinha... vivia às margens da cidade,
às margens da floresta... às margens de tudo.
Seus pais eram tão velhos,
que ele acreditava ser filho das filhas deles.
Alguma travessa avessa que tivesse fugido dali
e o tivesse abandonado.
Menino sim de boas pernas, boas passadas,
nenhum pensamento na cabeça lhe vinha
sobre o futuro, qualquer que fosse!
Nenhum futuro sobre ele,
nem em livros de histórias, nem no registro.
e nos dias que se seguiam!
Todos por ali eram muito velhos e abandonados,
gente que não conta, não pesa, não opina,
não precisa de nada. Gente triste, mas gente viva.
e dolorida.
Portanto João perna de cipó tinha que procurar
comida para seus pais avós...
Se enfiava cada vez mais para dentro da floresta,
...Ôh lugar assustador para qualquer mortal,
creio que até os Deuses a temem!
Parece linda aos olhos de uma filmadora,
que vai penetrando pelo seu interior... e vendo penas
gritos, mistérios, sobresaltos, cachoeiras,
lagos... riozinhos, riozão! montanhas, buracos,
pântanos, meu Deus, como descrever um pequeno matagal que vi...
Assim, João aprendeu a andar mais alto, pelos galhos,
para evitar as pedras do caminho e os precipicios.
aprendeu com os passarinhos, Joãozinho era leve,
assobiava enquanto passeava pelas copas das árvores,
Não era Tarzan, nem mesmo parente longiquo,
era só um menino de beira de mata.
Algum tempo atrás joão perna de cipó
buscava remedios raros para seu grupo de pessoas velhas
era bom nisto, bastava lhe explicar que tipo de flor,
de folha, de fruto, de caule, de raiz que j0ão
aparecia com elas.
O povo dizia que Joãozinho era pagezinho!
que quando crescesse seria médico ou pagé!
Que nada João queria mesmo era voar!
E voou! da infância para a fase adulta,
quase sem percebeu João perna de cipó virou um homem,
16 anos de vida, uma vasta experiência,
muita ciência e boa consciência
Mas seu povo pequeno que fosse lhe dava muito trabalho,
Tinha que arrumar uns bichos pra eles comer,
ninguém vive só de remédio...
precisa também se alimentar...
Eles queriam carne. Carne fresca!
Os avós amarelados que estavam, fracos, quase moribundos
se encontrassem um bom assado,
ficaram fortes, outra vez... alegres depois
de uma refeição bem saudavel de muitas proteinas...
Que sonho! Se bastasse uma só vez... ele João já teria caçado o bicho!
mas hábito? todos os dias de sua vida?
A verdade é que João nunca ignorou os velhos
da aldeia saiam e voltavam arrastando algum bicho
pelas pernas, depois festavam alegremente!
E faziam isto sempre que conseguiam.
Chegou finalmente a hora,
João decidiu caçar um bicho para levar para os velhos pais...
Entrou na floresta cheio de maus pensamentos,
sorrateiramente, andando pelas árvores,
procurando um bicho pra matar.
Ele sempre fora moleque, moleque sempre faz malvadeza
portanto nunca foi inocente. Mas matar um bicho
grande parecia meio macabro.
Ninguém quis conversa com João naquele dia,
os bichos bem que suspeitavam,
... Qualquer hora este garoto se revolta contra nossa vida,
e fim... deixa de ser um garoto bonitinho,
pra ser inimigo!...
O Jovem tinha se desanimado com a sorte de se tornar um caçador
Melhor mesmo era ser médico pagé... levar folhas, sementes,
raizes... nada de carne, nada de bicho arrastado pelas pernas...
Ele não confessa mas sabe que fome doi tanto
no predador quando no imolado.
Assim o desejo começa tomar forma...
e de repente uma grande búfala salta a sua frente,
investe contra o garoto,
que corre para lá e para cá, mas a búfala
não desiste do jovem,
o persegue ferozmente...
ele confronta aquela vida, simplesmente
num canto pequeno do mundo,
onde ele não tem saída.
Uma luta invisível, sem socorro, sem grito,
sem ajuda parece até injusta,
A búfala o provoca quer levá-lo
até as portas da morte,
de qualquer um dos dois!
Mas João perna de cipó acaba
por derrotar a búfala...
que morreu, assim, pelas mãos de um meio menino,
um quase homem, ou um homem menino.
Estava mortinha, deve ter morrido do coração,
Por que afinal naquela floresta
nunca ninguém tinha visto aquele João!
Virou homem, o João perna de cipó,
Queria carregar a caça, levá-la para seus pais avós.
Afinal aquele foi um grande sacrifício,
e talves o único que João faria.
Tentou arrastar o bicho de todo modo,
o bicho parecia colado no chão.
Alguma coisa no meio dos arbustos chamou atenção:
Era um lindo filhote, filhote da búfala.
João se encantou com o bichinho tão novinho
e até se esqueceu da morta!
Sentou-se próximo ao filhote
e pela primeira vez João teve o que pensar:
Matei o bicho e agora
não consigo carregar!
O bicho vai estragar... e os pais avos continuam a amarelar!
João perna de cipó volta para a aldeia
levando consigo o bufalozinho órfão!
Ao chegar na aldeia contou o que tinha
acontecido na floresta...
matara a mãe do bufalozinho, pobrezinho!
por isso o trouxe...
quanto à morta: Estava lá precisava de ajuda,
para devorar a búfala.
Assim se reuniu o povo mais forte
da aldeia e foi buscar a búfala morta
Depois de um tempo voltou
com as carnes do bicho, eles voltaram fazendo festa,
se reuniram e comeram por varios dias
a carne daquele animal,
João percebeu que matá-la sozinho podia
devorá-la só, não conseguiria!
João também descobriu que é importante
cuiidar do sustento... apesar do contrasenso!
João é um lider... ele caça e distribui...
sua fortaleza é a própria natureza,
não é bondade, é inteligência.
Hoje há uma manada de búfalos em qualquer geladeira!
e João perna de cipó não existe mais!
Voltando às armas... conto maria melo - brasil Paraná - roteiro para cinema um filme de amor
O dia pode ser longo, para o bem e para o mal.
É um espaço-tempo mágico onde todos os sonhos são possíveis.
O que é tal sonho possível... afinal todo sonho é possível,
a realidade é um tanto quanto metódica.
Não foge à regra, entretanto.
Este dia do jardim e das armas ainda não acabou...
o sol está alto e sem pressa.
Novos visitantes chegam ao prédio no meio da floresta,
desta vez... todos se dirigem para um grande caminhão
que ficou esquecido na estradinha lá no fundo do jardim:
Uma seta, uma placa que diz: Zoológico.
Alguém vai dirigir o caminhão bem devagar
o povo vai a pé. Os cientistas, os jardineiros, os negociadores
e uma turma muito especial que acabou de chegar:
São os domadores, os cuidadores, os alimentadores,
os trabalhadores do zoológico da Dona.
Diz ela: Quer conhecer meus bichos?
Vamos visitá-los.
Todos muito felizes de estar ali. Todos tinham feito grandes negócios,
grandes lucros, barganhas indescritivelmente ricas e honrosas.
Chegaram... era bem ali, pertinho da cidade, um grande lago,
cachoeira, plantas todas muito bem cuidadas, flores,
um espaço deveras, nobre.
Antes de qualquer coisa se ouviu uma música:
Terra Amada que tu beijas
com a boca e o coração,
terra onde corpo e alma peleja
vida e morte, ódio e paixão!
A terra mãe sagrada,
do cavalo, do elefante, do leão,
do sapo, do ganso e do beija flor,
mãe do cachorro, da minhoca,
do camelo, borboleta e do lobo.
Terra mãe do homem, do bicho todo,
ela não despreza o teu irmão,
mesmo que teu ódio,
o enterre sob o lodo...
A terra o resgatará como filho,
eterno que sempre soube,
ser capaz de mudar.
e se não muda ela o mudará!
Uma música um tanto torta,
embalada pelo rodopio do vento,
ou o chiado dos animais,
música sem rima, sem verso,
sem melodia, sem harmonia
sem ritmo, protesto!
A terra repudia as armas apontadas
para as cidades que criam
grandes desigualdades,
e injustiças medonhas.
A terra repudia o bárbaro urbanismo,
sem lógica de Camões ou descartes.
Não há poeta capaz de cantar
a miséria que nela se espalha,
e nem matemático capaz desta miséria calcular.
Não há filósofo ou pensador popular,
que possa desvendar onde está o lucro,
da fuga do homem da selvageria natural
para o monstruosidade da urbanização primitiva.
Mas que importância tem isso?
A terra repudia no entanto,
ela diz que suas montanhas de ouro e diamante
e tantas infinitas preciosidades
estão a disposição da humanidade.
E ela diz: Não há em uma só das folhas,
as mais cultas, eruditas, populares e sábias,
de toda minha floresta,
uma lei escrita ou de qualquer outra forma manifesta
que discrimine ou proíba um só de meus filhos,
de plantar, de colher de criar e sustentar sua vida
e descendência.
Assim a terra repudia os atos humanos,
que geram e sustentam a miséria,
sem misericórdia e sem esperança.
Podia se ler muito mais... havia muitos cartazes espalhados pelas árvores.
Começou-se a descarregar as armas...
Primeiro foi o macaco... grande e preto. Peludo de cara feia...
mas bobo... tão bobo
que pegou uma metralhadora para si!
Virou-a de uma lado para outro,
apontou para todos, curioso a com geringonça
apontou depois para si mesmo...
para a onça... apontou para o filhote,
sentou em cima, pisou, chutou... pendurou no pescoço,
mais de uma, outra para o filhote, que também gostou.
outra para a velha macaca, mãe, é claro do macaquinho!
Depois a pobre onça, tão treinada no circo,
pôs a arma na boca, lambeu, cheirou-a,
pisou com suas enormes patas,
depois o domador lhe deu uma de presente,
um cinturão de balas, munição para qualquer necessidade.
Assim o camelo se ajoelhou e recebeu suas armas
e sua munição... o elefante a girafa, o rinoceronte,
o hipopótamo... todos, um por um foram devidamente
armados...! Menos os peixes, pobres coitados,
não há como armá-los! mas havia armas pelo chão,
se precisar um bicho pode defender o outro,
Alguns animais conhecem muito bem armas...
Os cavalos, os camelos, os cachorros... e assim por diante.
O parque do zoológico ficou muito exuberante,
estava protegido.
Você meu caro e ilustre leitor já viu isto antes?
Algum dia destas centenas de milhões de anos
que viu a natureza armada?
Você já imaginou uma grande árvore olhando
aqueles que derrubam a floresta aos seus pés,
enquanto não chega a vez dela?
E ela teve qual reação? Tombou!
Simplesmente tombou!
É a vontade de Deus?
A terra repudia e diz que
miséria não é recursal, miséria e administrativa!
É ganância desnecessária e servidão sem justificativa!
Você ainda quer ver a arma da qual falei,
no inicio deste conto?
Não! Você vai brincar com ela,
como brincaram os macacos na selva
com suas metralhadoras!
Então floresta armada, bicho armada,
agua armada... ar armado!
É apenas um conto... hoje! Percebe?
É um espaço-tempo mágico onde todos os sonhos são possíveis.
O que é tal sonho possível... afinal todo sonho é possível,
a realidade é um tanto quanto metódica.
Não foge à regra, entretanto.
Este dia do jardim e das armas ainda não acabou...
o sol está alto e sem pressa.
Novos visitantes chegam ao prédio no meio da floresta,
desta vez... todos se dirigem para um grande caminhão
que ficou esquecido na estradinha lá no fundo do jardim:
Uma seta, uma placa que diz: Zoológico.
Alguém vai dirigir o caminhão bem devagar
o povo vai a pé. Os cientistas, os jardineiros, os negociadores
e uma turma muito especial que acabou de chegar:
São os domadores, os cuidadores, os alimentadores,
os trabalhadores do zoológico da Dona.
Diz ela: Quer conhecer meus bichos?
Vamos visitá-los.
Todos muito felizes de estar ali. Todos tinham feito grandes negócios,
grandes lucros, barganhas indescritivelmente ricas e honrosas.
Chegaram... era bem ali, pertinho da cidade, um grande lago,
cachoeira, plantas todas muito bem cuidadas, flores,
um espaço deveras, nobre.
Antes de qualquer coisa se ouviu uma música:
Terra Amada que tu beijas
com a boca e o coração,
terra onde corpo e alma peleja
vida e morte, ódio e paixão!
A terra mãe sagrada,
do cavalo, do elefante, do leão,
do sapo, do ganso e do beija flor,
mãe do cachorro, da minhoca,
do camelo, borboleta e do lobo.
Terra mãe do homem, do bicho todo,
ela não despreza o teu irmão,
mesmo que teu ódio,
o enterre sob o lodo...
A terra o resgatará como filho,
eterno que sempre soube,
ser capaz de mudar.
e se não muda ela o mudará!
Uma música um tanto torta,
embalada pelo rodopio do vento,
ou o chiado dos animais,
música sem rima, sem verso,
sem melodia, sem harmonia
sem ritmo, protesto!
A terra repudia as armas apontadas
para as cidades que criam
grandes desigualdades,
e injustiças medonhas.
A terra repudia o bárbaro urbanismo,
sem lógica de Camões ou descartes.
Não há poeta capaz de cantar
a miséria que nela se espalha,
e nem matemático capaz desta miséria calcular.
Não há filósofo ou pensador popular,
que possa desvendar onde está o lucro,
da fuga do homem da selvageria natural
para o monstruosidade da urbanização primitiva.
Mas que importância tem isso?
A terra repudia no entanto,
ela diz que suas montanhas de ouro e diamante
e tantas infinitas preciosidades
estão a disposição da humanidade.
E ela diz: Não há em uma só das folhas,
as mais cultas, eruditas, populares e sábias,
de toda minha floresta,
uma lei escrita ou de qualquer outra forma manifesta
que discrimine ou proíba um só de meus filhos,
de plantar, de colher de criar e sustentar sua vida
e descendência.
Assim a terra repudia os atos humanos,
que geram e sustentam a miséria,
sem misericórdia e sem esperança.
Podia se ler muito mais... havia muitos cartazes espalhados pelas árvores.
Começou-se a descarregar as armas...
Primeiro foi o macaco... grande e preto. Peludo de cara feia...
mas bobo... tão bobo
que pegou uma metralhadora para si!
Virou-a de uma lado para outro,
apontou para todos, curioso a com geringonça
apontou depois para si mesmo...
para a onça... apontou para o filhote,
sentou em cima, pisou, chutou... pendurou no pescoço,
mais de uma, outra para o filhote, que também gostou.
outra para a velha macaca, mãe, é claro do macaquinho!
Depois a pobre onça, tão treinada no circo,
pôs a arma na boca, lambeu, cheirou-a,
pisou com suas enormes patas,
depois o domador lhe deu uma de presente,
um cinturão de balas, munição para qualquer necessidade.
Assim o camelo se ajoelhou e recebeu suas armas
e sua munição... o elefante a girafa, o rinoceronte,
o hipopótamo... todos, um por um foram devidamente
armados...! Menos os peixes, pobres coitados,
não há como armá-los! mas havia armas pelo chão,
se precisar um bicho pode defender o outro,
Alguns animais conhecem muito bem armas...
Os cavalos, os camelos, os cachorros... e assim por diante.
O parque do zoológico ficou muito exuberante,
estava protegido.
Você meu caro e ilustre leitor já viu isto antes?
Algum dia destas centenas de milhões de anos
que viu a natureza armada?
Você já imaginou uma grande árvore olhando
aqueles que derrubam a floresta aos seus pés,
enquanto não chega a vez dela?
E ela teve qual reação? Tombou!
Simplesmente tombou!
É a vontade de Deus?
A terra repudia e diz que
miséria não é recursal, miséria e administrativa!
É ganância desnecessária e servidão sem justificativa!
Você ainda quer ver a arma da qual falei,
no inicio deste conto?
Não! Você vai brincar com ela,
como brincaram os macacos na selva
com suas metralhadoras!
Então floresta armada, bicho armada,
agua armada... ar armado!
É apenas um conto... hoje! Percebe?
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