sábado, 26 de junho de 2010

O sonho do Príncipe


O príncepe estava sonhando.
Na verdade, era um sonho ruim.
Se alguém o visse em seu sonho
mandava-o pro manicomio, sim.

Mas ninguém o viu. Só eu,
que às vezes sonho também.

Da janela do terceiro andar
eu via o príncipe
com sua roupa laranja
e uma faixa dourada no ombro.

Um boné amarelo
que absorvia sua cabeça
só conseguia ver-lhe as orelhas,
que me pareciam  às avessas.

As mãos enfiadas em luvas negras,
fora,  só suas pontas de dedos
um enorme vassourão pelo chão,
varrendo calado, seus segredos.

O enlevo de sua alma
naquele momento em alto relevo.

Fico atenta à cena
seu olhar em linha reta,
não vê as montanhas,
nem mesmo o ápice do céu.

O príncipe estava em apuros
ao ver o tamanho e a largura da rua
e toda sua sujeira,
limpando-a gastaria a vida inteira
enquanto às gargalhadas,
outros a suja!

Como um príncipe tão astuto
entrou em semelhante tributo....
meditava eu a contemplá-lo
e a saber que por detrás de negras luvas
a alvura de suas mãos ditavam leis.

Leis ignorantes outras boas e justas.
tantas leis crueis,  que apenas insultam
aleatórias ao céu, ao inferno
às divindades eternas, mortais e mortíferas.

O príncipe era cativo,
misteriosas leis
dele desconhecidas
alí o mantinha vivo.

A morte:

Que sol ardente no peito
que imensa claridade líquida nos olhos
o indigesto sonho desfeito
o corpo caído no solo.

Ele ainda ouviu os gritos das pessoas ao seu redor
gritaram: ele morreu, ele morreu.
de si a dó maior.

Acordou em sua cama no seu castelo
amarelo pelo reflexo de tanto ouro.
agarrado a tantos que o ama
o príncipe passou a contar o seu tesouro:

Sonhei que era rico
tão rico e poderoso
que outra simples vida eu tinha,
de inestimável valor.

e todos riram das bobagens que o príncipe dizia...
o que era para ele, mais uma vidinha de gari
se ele era principe e de tudo se servia.

Ele não disse nada das risadas,
mas riu consigo mesmo,
das loucas gargalhadas...
porque era a primeira vez que ele morreu!

Vaga no céu - Maria Melo

Tinha uma vaga no céu
pra cargo de Santo.
Faz tempo que todos por  lá espera alguém.
Ninguém nos últimos tempos, entretanto.

Pedrão estava desempregado,
endividado, jurado de morte,
com o aluguel atrasado,
e sua mulher um porre!

Decidiu trabalhar no céu.
Condição: não precisa graduação
nem pós, nem doutorado.
nem mesmo saber o alfabetário.

Não precisa dirigir nada,
nem identidade, cpf, ou o nome limpo no serasa,
não carece endereço, referência,
teste de Q.I  e conta bancário,
Observação importante:
Não precisa entender do assunto.
Precisa de algo:
ter o nome limpo no Spcp
(serviço de proteção contra os pecadores)

O interessado no cargo não pode estar em pecado.
Pedrão sentou-se na sua cadeira dura
e começou a matutar:
Estarei em pecando... serei pecador...!!!
Contou todas as suas ações daquele dia.
Nada parecia ser pecado,
seus atos eram cômicos, eram tristes,
angustiantes... mas pecado mesmo...
passavam longe, tanto melhor,
pensou ele... nunca faço nada de novo,
minha vida é uma eterna repetição.
Por isso bastava simplesmente, rever
durante a noite os atos daquele dia.
Isto fez com soberba alegria
e concluiu que estava pronto.
então se apresentaria , na manhã seguinte  
ao senhor e reinvindicaria o cargo de santo.

Isto tudo parece muito complexo,
mas para o inocente Pedrão era muito facil.

Na portaria nem precisou se identificar,
Logo aquele que nem santo  era,
já lhe indicou o lugar...
onde o chefe o aguardava sorrindo,
(chefe sorrindo, suspeito)
mas Pedrão ria mais, ainda.

A vaga é sua, disse o Chefe.
Nem há concorrente. Se precisar de algo pegue o  que puder,
tudo por aqui é seu.
"Ah se fosse assim, lá embaixo!" Ele nem pensou isto.
Eu que pensei.

Louco de feliz foi logo procurar o que fazer...
Para entender o que um santo deve fazer...
Pedrão recebeu um livro.

O livro era muito pequeno e quase sumiu no bolso
de Pedrão. Só tinha a capa.
Cadê as páginas.... E em portugues, claro,
tinha só 3 letras... BEM

Ele nunca foi burro mas era muito incompetente
para viver socialmente.
Entendeu perfeitamente o que leio.

Aí ficou claro, era dia ensolarado.
Sem nuvens... Pedrão tnha um excelente cargo.
Viajou de estrela a estrela
na maior solidão, não encontrou nada errado.
Voltava todos os infinitos dias para sua
 moradia sem ter feito nada.
Nenhum bem a ninguém...
Saia todos os santos dias,
e nada pra fazer no céu.

Depois de muitas eternidades divinas
vividas pelos espaços celestes,
viajando pelas estrelas e luas, Pedrão ficou entediado.
Ficou injuriado

Por que não tem ninguém aqui...
Filosofou Pedrão angustiado:
Se tiver outro homem, dá guerra,
Se tiver uma mulher, dá pecado.
Não queres viver em paz...

Enquanto filosofava, seu fogão...
Não o fogão do inferno que consome as almas dos pecadores...

Mas o velho fogão de lenha,
onde a velha patroa patrulhava a cozinha
noite e dia esquentava o seu feijão...

resmungava a desgramada
que aliás não tinha gramas a mais
e sim dezenas de quilos... que importava,
que seu velho fogão,
sentava não de verdade, a sua frente,
só na sua imaginação que  doia
fortemente no seu coração,
que aliás também nem coração de verdade, era,
já tinha se desfeito pela terra,
por tantas passadas primaveras.

Morri! Será isto mesmo, morri
e nem percebi...!

Quem está vivo tantas vezes quer morrer,
mas não morre... quem está morto,
quem se lembra o que ocorre!

Pedrão pensou no livro.
No que fazer, na solidão, no céu, na terra,
no Fogão... na velha! Pensou feito louco,
no seu corpo e o procurou desesperamente.

Não encontrou em lugar algum,
nem mesmo na raiz mais profunda,
da árvore mais gigante do mundo.

Eu quero viver de novo, dizia de si para si mesmo,
a estas alturas que Pedrão andava, nem Deus!
Quero ser o que sou, nem que seja um Pedrão.

E pronto lá estava ele, plantado na calçada, um Pedrão.
Veio a mulher que levantou mais cedo,
querendo tecer novamente a manta de Ulisses
lembrando os pontos e comprando a preço
de ouro a lã, a mulher resolvida,
deu de cara com Pedrão!

Que Pedrão é esse bem no meio do meu caminho,
de onde terá vindo, não veio sozinha...

tentou vira-la, abraçá-la, quebra-la
roubá-la, levá-la, escondê-la!
E até fez previsões sobre sua aparição!

Mas Pedrão não se moveu...
Dali de onde estava podia ver o que passava,
o que falava, o que pensava o que queria,
sua velha e antiga cozinheira.


Que tão logo não pode com o Pedrão,
chutou-o até machucar o pé...
mancou e melhor, o chutou de novo,
depois de um tempo,
arrumou  uns amigos e levou Pedrão pra casa,


Há de haver algo bonito
que eu possa fazer com Pedrão!

quinta-feira, 24 de junho de 2010

roda d´água


Ôh roda d´água que vai e vem
não vou a lugar algum
se não for com o meu bem.

Eu te amo ave
mas às vezes tu és o rio
eu te amo e tu bem sabes
laparina ama pavio.

Eu te amo luz
mas às vezes o amor é treva
tu me amas com teu fogo
eu te amo enquanto neva.

Eu te amo muito
mas às vezes o amor é pouco
tu me amas conta gotas
eu te amo feito louco.

Eu te amo tudo
mas às vezes o amor é nada
tu me amas feito mudo,
te amo na passarada.

Eu te amo em paz
mas às vezes o amor é guerra
eu te amo pelos vales,
tu me amas pelas serras...

Oh roda d´água
que vai e vem
não vou a lugar algum
se não for com o meu bem.

Tem piedade de nós....

Senhor poderoso cérebro
tem piedade de nós
trai seus grandes, poderosos
e maléficos servos
Não permite que seus sonhos maus,
seus pesadelos,
em realidade se transformem.

Despacha -os brejo abaixo,
adormece-os e os afunda nos pantanos
Acorrenta-os às raizes sugadoras
das grandes árvores
-Que sejam alimento de suas
famintas flores e folhas
que espalhem oxigênio dos ares.

Senhor santo e divino cérebro
trai os pequenos, inuteis e malignos servos
concede-lhe o bom sonho nosso de cada dia.
Enche-lhes o ventre a mente de bondade
para que nossa vida seja mais leve e suave.

Concede a ambos, tantos os pequenos quanto aos grandes...maus
 sonhadores tempo para desfazer todos os
maleficios  feito por eles próprios ou por seus mandos
para restaurar suas próprias vidas.

Que não morram na inocência do pecado e do crime
contra a existência e que tenham chance
de se redimir.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Somos retangulares - As montanhas.

seus ossos são pedras
que vão se empilhando aos poucos,
pouco a pouco, esmera
diamantes e rochas.

Sentadas no vale
num trono eterno
de todos os tempos
de seus próprios olhos escorrem

lágrimas das nuvens
em rios suaves
em turbulentas naves
abrem caminhos para
longíquos e desconhecidos mares.

Sei que somos retangulares.
mas sentada entre elas,
sou apenas outra montanha
calada dos vales.

Sou calada bem sei,
mas tudo vejo, suas faces,
seus passos, flores e desejos.

Choro em meu cume,
juntamente com as outras iguais,
rios de lágrimas
pra que suas sinas lavem.

Sentada no vale,
sou mais, apenas mais uma montanha,
silenciosa, mas nunca ausente,

sigo seus passinhos,
e os enrolo suavemente,
em mim, feito correntes,
prendo-os muito bem,
para todo sempre.

sentada com elas, as outras montanhas,
também sou montanha,
não ouço estórias,
vivo história,

espalho meus longos e sempre cabelos verdes
sobre a terra para que pisem e brinquem suas crianças,
e se algum erra, se desencanta...
cubro-lhe com minha caliente terra
e espero que ela volte,
mais santa e mais  sincera

para habitar o seio de minha existência.

Serei montanha por mais um eterno tempo.

Desterro do Melo - Agradecimento

Agradecimento ao Senhor Geraldo Dutra,
Marcia e Familiares pelo carinho da acolhida,
pela hospedagem pela boa prosa e pelas bonitas imagens.

Agradecimento ao Senhor Pedro Gordo, Hilda
e Paulinho, pelo carinho, pela hospedagem, pelas histórias e estórias e
pelas bonitas imagens.

Agradecimento ao Senhor Alipio José e Familiares,
pela carinhosa acolhida pelas bonitas imagens.
Agradecimento especial a  Shirley e ao Sergio.

Desterro do Melo - Mario Tafuri

Agradecimento ao  Senhor Prefeito de Desterro do Melo Mário  Tafuri 
e  seu vice Senhor Cecilio pelo carinho da amizade.
Louvor ao senhor Prefeito Mario Tafuri,  sua equipe bem como
ao povo cidadão melense pela conquista da legalização
de 220 propriedades rurais que beneficiou com escrituras gratuitas
os pequenos proprietários de terras da região
que ainda não tinham o privilégio da propriedade legalizada.
Em destaque o exemplo dado
pelo Senhor Mario Tafuri e sua equipe
ao país inteiro que até hoje não viabilizou caminhos
para uma real legalização de propriedades.

O estranho

 Aquele que me é estranho Me são estranhas suas lágrimas. Até posso vê-lo como uma rosa que se orvalha. Não entendo sua dor nem do coração n...