domingo, 6 de março de 2016

Calada feito pedra...

Diante da medusa
não se medra, nem se respira...
só pira.

da esfinge
o que pinge é serenidade
e não ira.

Exatamente agora é hora do que...

o quê dos filósofos,
o quê dos psicólogos
o quê dos sociólogos
o quê de todos os istas
que estão na pista

Hora do trabalho,
de trabalhar enquanto se debatem
com a cabeça da medusa.

a guerra  se   desusa, as armas se tombam
há algo novo contido nos vales,
que veio das montanhas...que faz outro tipo de estrondo.

as montanhas conhecem muito bem as estórias  da história.

E se fosse pensar
diria...ah, cadeira o que te contraria...

 me diz Oh,  cadeira aí...
Cuidado esta cadeira em silêncio
daqui para frente ainda que   parada,
estará  armada, ela e todas as suas camaradas

e se for convidado a  se sentar
sente-se, sinta-se com muito cuidado,
porque a cadeira está cansada
e de hoje em diante, armada.

de leis da floresta,
que ninguém lê nem burla
não está escrita nos papiros nem nas pedras...
nas assembleias e tribunais de juri...

mas do lugar de onde nasce a história.







terça-feira, 1 de março de 2016

o velho...

Por mais que o velho seja sábio...
porque tanto duraria, se não o fosse,
eu me acabo por uns olhinhos de moço.

E quanto mais moço mais me seduz,
um bebezinho novo que logo vem a luz.

Que Deus o abençoe
com toda infinidade bondade
 que  o acompanhe sempre
em sua caminhada,
que faça da terra seu lar,
dos homens sua irmandade...

que nada lhe falte para dar e nem receber
que tenha sempre o que sempre tem tido
que venha viver o amor que lhe foi prometido.



a casa

É boa,
mas está um destroço
se quiser dou logo um jeito no negócio...
tenho uma reforma pronta,
guardada no estoque!

tenho mármore do fundo do oceano
subscrito pelos moradores do subterraneo
é um tabletinho embrulhado num pano
que negocio  bem barato
e mando de aeroplano...

porque minhas finanças estão aos cacos.

juro

que a reforma está  pronta
mas está escondida, tonta!

dentro da velha casa
uma nova se desponta.

Não vê como o rio contorna os quintais
que se curvam às suas margens, os  animais!!!

não vê que o desgramado se trai
que a terra se contrai
e o mal se retrai!!!!

e que o novo e bom sobressai.

O chefe

Nunca se agrada com meia colher...
O produto da divisão é do jeito que ele quer...

se a conta se está certa ou não
o chefe é que faz a divisão.

Mas quem é este cacique do sertão...
é joão, joão pé de dinheiro
que andava  pé descalço pelo chão...
e hoje só voa pro estrangeiro de avião.

João, João, vai um conselho de ante mão
pede aposentadoria, antes que a casa vai ao chão
porque a ventania não tem paradeiro não.

esqueça o passado de gloria,
e vai  esquecendo o presente de agora,
arrume logo um divã
de fato teu hoje já foi embora,
mas quem sabe reste  amanhã!

devia ser

A poesia devia ser fera
na esfera do verbo, do substantivo e do adjetivo
do tipo selvagem... onça ou leão
mas a poesia não passa de camaleão.

um belo poema
tem que ter pena,
rimas raras, joias caras,
tem que ter palco, cena.
plateia e espetáculo e aplauso.

Nauso pasmo com espasmo
deste meu próprio troco,
um toco de coruja
oco que a gente usa,
para um canto rouco
breve de fusa.

vou me no verso que adejo
com todos os meus confusos desejos,
certa de que errei o passo,
mesmo assim, no caminho errado,
ainda assim passo,
passo a passo,
por todo tipo de constrangimento e embaraço
mas devo prosseguir
até que se desate o laço.





acerto

acertou: A verdade não sei.
Mas sei perfeitamente de onde se tirou todas as mentiras
ainda se tira...
das quais se usa e se abusa de tudo e de todos...


isto me fez sonhar com outra coisa
além disto.



O estranho

 Aquele que me é estranho Me são estranhas suas lágrimas. Até posso vê-lo como uma rosa que se orvalha. Não entendo sua dor nem do coração n...