O homem tinha perambulado por toda a cidade:
Entre os habitantes um velho muito calado.
Era seu alvo.
Sem seus parentes como escudo,
o velho andava a deriva,
Memória fraca e pouco ativa.
Sua estória, ou história interessa,
muita coisa pode ser verdade, outras mentiras,
tudo faz parte, nada pode ser descartável,
não antes da grande leitura, do grande livro...
O velho na mira,
sua casa velha, entre árvores avulsas,
parecia uma floresta, meio de luto,
afinal a maioria dos habitantes daquela selva
nem chegava mais a ser um vulto.
Quando se tem parentes se diz
sou eu filho de fulano, de cicrano, de beltrano,
nasci lá na beira do rio, no capão do mato,
naquela ponte, nas amoreiras,
tudo fica mais facil...
mas quando se é só e se é velho demais,
todos já morreram... não se sabe
quem se é... e principalmente se a pouca memória,
(memória de uma pessoa só) não ajuda.
È com certeza o fim da labuta.
O perambulante da cidade,
filho abandonado de ninguém, cresceu a mingua,
no lixo que nunca desabriga.
Uma vez viu o velho desdentado,
sentiu parentesco com ele... faltava-lhe também os dentes,
que são muito mais que garras,
como as estranhas cigarras,
misturadas aos cipó das grandes árvores,
só se revelam pelo canto.
Ele também era filho da terra, abençoado das estrelas mais brilhantes,
e sua barriga de miséria, afundada feito poço de rocha,
fugia longe lhe água, cada vez mais distante.
Ao encontrar o velho,
Você é meu parente remoto,
sou seu último descendente,
o velho aceitou.
Posso ser sim, se acaso te interessa,
a velha árvore que cuidou de mim.
O homem conhecia a lenda da grande árvore da floresta,
o velho conhecia a grande árvore da floresta,
a mais antiga, antes dele nascer,
mais cultivada e amada árvore,
que o alimentou com seus frutos, feito peito
de mãe parideira por séculos sem fim,
e agora ele tinha fome, fome de saber,
tinha sede de conhecer o caminho,
o mesmo que o empurrou vida afora,
para muito longe de si mesmo, para muito longe de outrora...
domingo, 3 de abril de 2011
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