As viagens longas ou curtas
não importa, a gente sempre volta.
Algumas são metódicas, outras históricas.
naquela viagem, num instante curto
vi na árvore um vulto.
cabras e ovelhas prenhas pastavam
tranquilamente num dia de sol, sem muita filosofia existencial
quando aquela forma de vida se debatia
em plenos raios de sol...
maravilhada
precisei pensar... desci do carro peguei a filmadora
e investi... nas imagens...
logo vi uma pessoa humana
e bem receptiva, convidou nos para ver os as ovelhas e cabras
dando a luz aos seus cabritinhos...
deve ser muito lindo...!
Eu queria mesmo era filmar o etê que me pareceu estar preso nas ramagens da árvore,
qual nada, nem as cabras ou ovelhas deram crias naquele momento
nem o etê me apareceu...para a filmadora... mas recebi uma mensagem
na qual ele me explicava que havia caido de uma nave espacial
e que a mesma havia saltado para outro campo magnetico
existencial.... sei lá o que mais me disse ele.
A viagem foi dificil porque isto não poderia partilhar nem com o
mais íntimo amigo... era segredo... segredo de viagem, de passagem,
de meio de transporte e etc...
passou o tempo e voltei outras vezes no mesmo local,
os cabritinhos cresciam felizes, os carneirinhos também
e o dono cada vez mais rico...e satisfeito.
mas e o etê... o que teria sido feito dele....
Outro dia, meio na calada da noite,
percebi algo estranho por perto, quase vi o etê...
"não me tema" disse ele a um homem que logo saiu correndo.
Quis olhar e ver... não pude... mas ouvi
Era a mesma mensagem... mais completa,
sim... vivo nas ruas de curitiba,
esta cidade é bem deserta... vivo aqui desde criança
sempre nas favelas... onde ninguém precisa provar endereço,
ninguém quer saber a identidade de ninguém...
ninguém vem visitar ninguém
ninguém quer passar nem por perto...
E azar meu ou sorte, que quando cai aqui
fiquei tão feio quanto todas as lindas crianças maltratadas ficam feias...
e me tornei tão desculturado quanto todos por aqui...
e para ser sincero falo bem e entendo tudo que dizem...
só não entendo o que fazem e o que não fazem.
se correm de mim não é porque saibam que sou etê
é porque pensam que sou favelado.
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domingo, 14 de agosto de 2016
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