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sábado, 24 de outubro de 2026

criatura

 Sou um artista falido.

Me referindo a mim, mas também

a outros artistas que conheci

pelas estradas desta vida.


Não, você não é um artista falido.

Para ser um artista falido

precisa ser nomado e renomado na arte

depois de bêbado, pobre e feio some.

Você é um artista anônimo

se é que este termo soa bem para você.


Minhas pupilas dilatadas

os cantos dos olhos arrepiados:

Nem falida posso ser?

É o prisma da sua olhada

Contestei.


Saiba que já fui rica,

apenas  para pagar a passagem

neste trem da arte.

Tanto eu quanto tantos outros,

tantas vezes desistiu da viagem

se livrou da bagagem

e saltou em qualquer parte da estrada.


Mas a arte não tem

 um lugar certo de paragem

ela chega, vem da alma,

se joga em cima do artista,

e flui como uma chuvarada.


Ela a arte, é uma das muitas graças

 que se recebe em mãos,

 em quaisquer condições da criatura,

e se transforma em luz, apenas em luz.


E este  é o momento solene e pura,

o mais nobre momento da vida,

aquele em que a ela, a natureza criadora

faz as pazes, com sua  criatura.





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