segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Todos eram quase felizes
Deus era o síndico
do grande área verde.
fauna e flora variada,
água de matar a sede.
Deus era síndico e senhor
de suas criaturas variadas,
desde que não houvesse amor
entre pares trocados.
Ninguém jamais bestiou
confrontar as ordens dadas,
mas a maçã e a serpente
faz planos a_mal_gamados.
Chamou Adão às ocultas
pos em seus dentes brancos
o perverso saber da fruta.
Quanto a EVA, a sua serpente
serpenteou caminho errado,
colocou em seus dentes
sabor do pecado...
E tudo virou inferno,
de prazer e dor
sem confrontação,
Deus perdeu o estatus
o Diabo ganhou eleição.
E o mundo foi finalmente instituido
como patrimônio da humanidade,
não importa o pai nascido,
nem a mãe de verdade...
Mas que diabo,
Deus tenta se meter tudo,
até transformar o inferno
num paraíso de mundo.
E as leis nasceram para
combater o mal feito
mas no fim submissas,
às mãos alheias à dor
deram novo rumo
ao inferno cheio de amor.
E contaram os que podem ser felizes,
comer maçã, da flor até a raiz,
sem temer o tal pecado,
Os que brincam e encantam as serpentes,
com leves músicais adornados,
de danças soltas, sensuais
entre tantas outras magias
sutilmente estudadas.
conhecem e seduzem o mentor da paraíso,
com façanhas e grandes negociações,
de viver em paz
se for preciso, ou a guerra do se não...
As armas esperam
entre uma primavera e outra,
muitos tiros de outono e inverno.
As rosas tremem, as margaridas
perdem suas pétalas,
não tao brancas aindas,
mas rosas estão incertas.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Dona Joanita, seu Pablo e Nit - quase um triângulo! - conto
Ele me ama.
Eu te amo
Tu a amas
Ela talvez tenha a solução matemática do problema.
Serei linha reta.
Mas tu és cruel e sincero.
Diz: não te quero,
Sou sincera e cruel,
Não me importo.
Ela quem sabe é feliz.
Aliás a única!
Então tu pegas aquela camisa que adoro.
E vestes para passear com teu amor,
quase imploro para tu tenhas uma desinteria.
E sorrindo com todo rigor
vais ser feliz longe de mim.
e pensas que choro,
sabes que não. Nem uma lágrima,
treinei meu coração
a não sustentar mágoa.
Penso no amor, qualquer amor
penso no controle,
qualquer controle e vou me embora,
Agora quero mais
mais que a posse, me treinei
a fazer-te feliz mesmo que seja desta forma...
com outra, outras, em teus sonhos,
em tua realidade.
penso que mesmo assim
tu és ainda muito infeliz.
Seu Pablo está muito intrigado com a presença de Nit...
Bem que queria que o trabalho e o romance
acabassem logo.
Quem sabe ela se tornasse seu verdadeiro amor,
mesmo que se forjasse
no coração uma escrita nova
não precisava ser nas estrelas,
podia ser em qualquer linha,
bastava ser sinceramente escrita.
Qual nada todo trabalho nunca finda,
seja juntar palhas, caçar tesouros,
ou inventar felicidades, ainda.
O que Nit faz... quem é Nit...
será que a autora sabe... será que o leitor quer saber...
Lembram do cara do cavalo e da mala...
lembram das coisas que dona Joanita levou para casa
e não teve coragem de ler...
Será que ela esperava secretamente,
alguma coisa paranormal...
Por que não leu... por que não destruiu...
por que levou para casa,
se não era dela, que importância isto teria...
guardar papeis, ou queimá-los é sempre
uma atitude extrema:
queimá-los sem lê-los, guardá-los
sem bisbiolhotar o pensamento alheio...
dizem que é um mal hábito
que é repugnante e feio.
Especialmente no caso dela, que não os precisava levar.
Nit veio buscar sua mala. Os papeis
estavam na mala dele, naquele dia
do cavalo e seu cavaleiro.
Por que Nit assustou Dona Joanita...
por que não a deixou passar umpune.,,
Porque Nit bebeu todo o vinho da sua parreira naquele dia.
Ele era quase grosseiro, roceiro,
do mato, não tinha nem brilho poético no olhar,
Não falava nada, não escrevia nada...
Não lia nada...Era um homem perdido.
Mas andava bem no seu cavalo.
Não era show, nem exposição de venda,
nem exibição de qualidade,
Não era vaidade,
era o exercicio de sua naturalidade.
Ainda que bêbado dormia e sonhava em seu cavalo,
de fato, seu cavalo, aquele cavalo
era seu melhor atributo.
E vinha ele outro dia, dormindo
ao meio dia, em seu cavalo,
pela estrada sem dono,
num amanhecer, que er
a um sonho!
o cavalo entre tantas coisas que fazia ao dono,
também voava, como as lendas contam
alado ou não, dormindo ou não, Nit sonhava.
E dona Joanita sempre bem disposta
a compreender caminhos e portas
os viu passar:
Quem será mais inteligente,
O cavalo ou o homem que ele porta.
no seu pelo, bailarinar...
Nit ouvia pensamentos:
Isto era insuportável, comparar coisas tão diversas,
e tão necessárias.
Seu cavalo era parte de si mesmo, apenas
uma parte e ele Nit se sentia parte,
só uma PARTE do seu próprio cavalo.
Fingindo dormir, Nit deu toda volta na estrada
e novamente avistou dona Joanita
e para assusta-la, lembrar que nem tudo
que se vive está escrito
foi que passou a dançar no lombo
de seu cavalo, e tão embriagada estava
que nem reparou na nuvem de poeira
quando ele passou...
nem que sua mala voou
para as mãos de quem dele zombou...
Porisso Nit voltou!
A cigana
de saia rendada
cabelos ao vento,
e face pintada!
A cigana me abordou:
Mostre a mão quero ver
o que o destino lhe reservou.
Fui tentada ao desafio:
Ler minha mão é ler água de rio.
Ela riu, no seu olhar desafio:
disse sem falar
dou-lhe uma semana,
para os olhos azuis encontrar.
Fechei a mão ainda no ar,
meu destino de fato não quero revelar.
A cigana insistiu:
Ele tem olhos celestes,
e camisa da mesma cor ele veste.
Então pensei
meu amor gosta de camisa azul celeste,
tem olhos azuis...
Mas nunca conheci ninguém assim.
Em minhas contas ela errou.
Passou uma semana
juro que procurei
está tudo em minha câmera.
Tudo filmei, ela errou.
Os olhos dele... não sei a cor.
talvez ele ainda nem me olhou.
De modo que fui procurar a cigana:
com que direito ela me engana....
A cor dos olhos não me importa,
importa se ele me ama.
A cigana me disse:
Nunca te vi antes.
Mas reafirmo a cor dos olhos dele é azul...
como teima esta cigana errante:
com um sorriso sincero
na face pintada sussurrou:
Espere, os olhos dele já estão ficando azul!
sábado, 6 de fevereiro de 2010
A fábrica de céu
Era mesmo uma fábrica...
soltava fumaça preta, branca, cinza,
azul escuro, marron...
que ia subindo, conforme o vento,
cumulando pelos espaços de ar
acima da cidade.
A cidade tava toda imersa naquelas nuvens,
que era o seu céu.
A fábrica apitava, estourava, às onze,
ao meio dia, ás treze hora... às 18:00h
e todos saiam correndo...
pegar o ônibus, o carro, o trem, o bonde,
Finalmente, a casa, o lugar que
só existia de verdade,
de noite, depois do cansaço,
da decepção e dos sonhos desfeitos.
Ela olhou bem e disse:
Á fábrica de fazer céu...
também faz sol, um sol que
fica atras das nuvens negras,
ou será que não tem sol...
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
carbono
temperado com ferro vívido
e líquido:
meu coração é porta de vulcão.
corredores plastificados
de silício,
caras mascaradas,
de eternos vicios.
Vicio de solidão milenar
lá fora é só silêncio,
ruído do tempo levando as folhas.
Ele nunca sai da jaula,
3 ou quatro centímetros de concreto bruto
e armado.
Amado ou não
meu coração é solidão.
Não por gosto, mas gosta
nem por maldade,
mas trama,
um grande maçarico em chama
romper a vermelha lama...
e ver o sol, só o sol,
desde de seus primeiros raios
na grande bacia do mar
até seu falso sono!
Então o que dirá do soliêncio lá de fora...
enquanto crescem as flores
e brotam os rios
dos olhos de quem chora.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
o que diz vossa magestade, o anel ... conto - Maria Melo
Aos dedos da mão que o ostenta...
Sim, és um dedo anelado...
teu desejo é lei, porque és rei.
E senhor de curta e grossa sabedoria.
Tudo passa, bem e mal,
dor e alegria.
E os outros dedos de tua mão o que dizem...
Não importa, porque o fazem em silêncio
detras da porta.
Tudo passa mesmo até que se complete
a primeira volta.
E quando se chega neste alambrado...
percebe-se o quanto a vida
escreve e caminha na linha torta
do caminho mal riscado.
Toda filosofia do sábio dedo
cai por terra, o rasário se rompe
e as preces, também,
principalmente as preces mal rezadas,
que são muitas. Se reza melhor com o coração.
A religião, a guerra, a ciência,
só lhes restam beijar a terra e saber
que o sangue derramada foi em vão.
Mesmo que tirar o leite da vaca
sobre o chão... não dá-lo de pão
ao seu filhote, ou ao menino, então.
Igualmente o sangue.
E estes sábios aneis e dedos bem apontados,
verão que o mundo tem
sedução e astúcia infinita
que jamais permitirão ao homem
ser o senhor de sua própria vida.
Não, jamais desta forma egoísta
e tão simplesmente bendita,
que simplifica tudo,
num gesto ou uma marca escrita.
No papel, é claro, qualquer papel,
inclusive o mais anti higiênico do mundo.
diálogo dos dedos,
que mesmo da mesma mão,
trazem em si diferente função:
E nas linhas dela traçam o mapa
do tesouro que sempre
ficará guardado no coração.
Como nasceu Nit...conto - Maria Melo
A profecia:
Como todo bom personagem a vida de Nit foi profetizada.
Um de seus antepassados disse a sua mulher:
Logo, logo o vagabundo do filho do vizinho
vai encher a barriga da tua filha.
Não ensinaste nada a ela
de útil, se não procurar alguém
assim, como o vizinho. Desqualificado.
Tão logo chegou a primavera,
estava a menina de barriga cheia
o baú vazio e a cabeça alheia.
Os pais a tocaram de casa
e sobre ela desfilaram um rosario de maldições
e conjurarão punições,
por ter zombado do criador.
Igualmente os familiares do vagabundo
desferiram sobre ele golpe de excomungabilidade,
Sem teto vai cavar a terra e procurar
raizes para sustentar tua infeliz vítima.
Estava escrita nas caras deles:
Pise-nos, expulsos-nos!
Assim foi de canto em canto
até o nascimento de Nit,
E ela finalmente foi dar seus urros
num cortiço, rodeada da máxima ralé social,
é claro. Inspiravam eles o surgimento
de gestos de miséria da alma humana,
Aquela miséria interior que fica
muito bem escondida, debaixo de vestes
de luxo ou mesmo da pele, simplesmente,
bem acabada das faces e do coração.
Nem há como falar disto mas é uma
espécie de exorcismo...
arrancar o mal de dentro das pessoas
significa sempre ferir muito alguém.
E Deus, por mais que sejam ateus,
acaba sendo cuspido no próprio paraíso.
Era a caridade do castigo,
para que se regenerassem do pecado
de serem construidos de elementos
tão crueis, como ferro, quem sabe, até aço.
E até as serpentes
arreganhavam-lhes os dentes,
agitavam os chocalhos.
Assim ele veio ao mundo,
olhando de frente, com seus olhinhos miúdos
o preço do mal feito, do pecado
e do paraíso desfeito.
Pensou por si mesmo: Esta deve ser minha familia.
contemplou pela primeira vez
aquelas faces sem máscaras:
máscara de belezA,
DE BOndade, de sabedoria,
máscara de riqueza, de verdade, de alegria.
Nem mesmo a máscara da consanguinidade
estava presente por ali,
nem avós, primos, tios....
Só mãe e pai constava de sua lista.
E ela tinha uma certa máscara de inocência.
Que lhe deu os braços, o peito, o colo
e o deixou viver.
Nem mesmo perguntou sua velha história.
O cenário pode ser Jung
Mas de quantas diferentes realidades
pode viver o homem dentro do mesmo mundo...
Nada se faz nos primeiros seis meses de vida
de um bebê. Só mamá e chorar chorar e mamá.
Até quando... chora mais ainda se o bebê pensa.
Mas Nit olhava as pessoas e chorava
às vezes, Nit gritava e se debatia.
Noutras vezes, Nit olhava e simplesmente ria.
Nit teve um terrível problema intestinal
e se borrou todo. Sua mãe generosa
que era o mantinha limpo e cheiroso
mas disse seriamente: você é muito porco!
Nit ficou pensando nos homens matando os porcos
e os comendo em plena alegria:
Será que também serei morto...
Era a criança única daquele cortiço,
ninguém por ali, falava em familia,
quase todos já a havia perdido,
ou abandonado.
Nit olhou para os homens ( seus parentes por afinidade
de miséria) e começou a chorar.
Tinha medo, medo de crescer, medo
de aprender, medo de praticar
o instinto de ser gente e ser forte e
Nit tinha muito medo de amar, também.
Sua maezinha, bonitinha veio correndo,
Tudo vai ficar bem, balançava ele
no colo. Mas Nit demorava para se acalmar,
O que doia mais ele não podia dizer:
Mãmãe, me perdoe mas sei ler pensamentos
só não os sei dizer, perdoa meus gritos,
dentro deste meu silêncio sem por que!
Desta forma Nit se apossava dos segredos
de seus convivas que pensavam de tudo um
pouco, mesmo que muito daquilo não virasse
realidade, era sempre uma especie rara
de verdade.
E Nit logo, logo mereceu ser jogado
no chão, aprender com os gatos
a arte da paciencia de caminhar
elegantemente nas quatro patinhas,
sem barulho e com carinho.
Outros bichos, também feito o cão doméstico,
andavam pelo cortiço...
logo Nit se indentificou com todos.
Tudo parece ser suave aos olhos de um bebê,
deve ele ser alegre e feliz
a menos que sinta dor,
ou que outros o façam sentir dor.
Nem deve o bebê pensar sobre
a alegria ou tristeza do gato.
Nit estava num plano inferior.
Nem era como os outros animais,
que latem ou miam ou berram
para se expressar...
Nit só tinha mesmo, medo de aprender
a arte da humanidade.
Ah, devo ainda dizer que:
Quando saia de seu cortiço,
temia muito mais, o pensamento
dos estranhos e por pouco,
ele não enlouquecia todos naquela pensão.
Era o bebê mais estressado
que alguém já conheceu, alem de muito estranho.
domingo, 31 de janeiro de 2010
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Nit - a sorte vem do mar... conto
As relações afetivas entre o mar e a autora
tendem a melhorar... dizem os astros... especialmente
a lua que anda a meio céu.
Trazer Nit à tona, tentar caracterizá-lo
atraves de um olho no mar, pelo menos, um
o outro digo depois, onde está.
Nit não caberá num quadrado, isto
é, Nit não se enquadra,
nem numa circunfência, não circula.
Mas Nit ficará muito bem se
puder ser definido do ponto de vista
dos raios de uma roda,
sem, é claro sem a limitação da circunferência.
Sucesso, também na hora de definir a personalidade,
A autora descreve o personagem
diante de aproximadamente 200 pessoas,
nada no entanto a incomoda,
nem olhares, sorrisos, vozes,
cantoria, alegria, gritaria... e tudo mais
que ocorre numa alegre reunião de praia.
Terça feira, o mar está cheio de sol,
o mesmo sol que a autora vê na cara das pessoas,
é, pois um ótimo momento para encontrar
Nit. A autora sabe que Nit está na praia,
ou melhor, no mar...
Aqui, neste momento a autora é apenas autora,
renuncia aos seus poderes especiais de personagem,
Sem nenhum dom, se não sua habilidade
para encontrar coisas esquisitas
a autora começa sua busca...
Liga sua pequena filmadora, discreta,
mas não invisível e vai passando,
tantos rostos quantos cabem no seu HD.
Nit não é apenas uma expressão facial,
é todo um conjunto de atributos
que compõe a natureza humana
Enquanto filma a praia, aproxima
imagens sem detalhes, mas guarda-as
para análise, mais tarde.
Quando ela se afasta de sua busca e seus questionamentos,
sente que Nit se aproxima,
passos leves e olhos discretos
quase imperceptível...
Ela, a autora, guardou rápido sua mala de questões,
para ser muito atenciosa,
Nit vem do mar, de nenhum outro lugar...
Mas então o que faz na areia...
Não o encontra por ora,
espera outra oportunidade
Uma conjunção da lua e do sol,
ou venus e mercurio... nem sei...
mas Nit desapareceu.
A autora vai ao mar, outras pessoas também vão.
Ela filma e filma,
vê nos olhares, estranhas expectativas.
É claro que Nit tem sua própria realidade,
sua propria razão e sua emoção
até sua vida é própria...
e Nit o personagem de uma estória,
que nem foi criada ainda,
não se entrega às mãos da autora,
sem conhecê-la, de fato, melhor.
Não é encontro de amor
é muito mais: é encontro de cumplicidade
poderosos e profundos laços
que unem para sempre
a autora e seus personagens.
Alem da autora, dos personagens,
estes mesmos laços propiciam o surgimento
de um trabalho ou um movimento
dentro da natureza
que abriga a trama, que é também
responsável, por exemplo,
pela cor dos olhos de ANa.
Assim: Conheça minha mente,
enquanto meu coração pulsa ao teu favor,
num gesto de louvavel amor.
O que diz Nit à autora e
por que a autora foi ao mar, encontra-lo...
Por que Nit não saiu de uma simples sala,
ou uma mesa qualquer da imaginação,
de qualquer pessoa.
por que Nit se declara vivente,
senhor dos mesmos direitos, que por exemplo
SEUS LEITORES.
Os leitores tem direitos e deveres.
Os personagens, também, a autora, também
assim, por diante...
A autora tem por hoby guardar as fotos
das pessoas... poemas, poesias, versinhos,
beijinhos e assim por diante,
é seu elixir,,,
Mas agora, neste momento presente,
ela ainda não mostra Nit completamente,
A autora o entrevista durante uma hora,
diante de muitas pessoas
com os ouvidos muito afiados,
curiosos e simpáticos
Eles não ouviram nada,
Nit também não viu ninguém
apenas desconfiou dos olhares da autora
pelos arredores e pelo tom de voz...
cuidadoso...
Os fãns de Nit são muitos
a autora os vê e Nit quer ser amado
quer ter seu público...
Ele diz sorrindo... sou Nit e ninguém mais... Só sou Nit.
Personagem forte e trabalhador,
dedicado e cúmplice,
espírito impecável, destinado à obra,
que ao final é em toda síntese
é a única relação de amor possível,
e cabível entre um grande e variavel
úniverso de pessoas que assim desejam
se manifestar!
Sem a cumplicidade, a fidelidade e o amor
dos personagens, não há romance,
não há autores, não há leitores...
Então, os personagens são
muito bem guardados, dentro do coração
e da alma vivente dos autores.
e como se pode ver, muitos personagens tem o dominio do tempo,
do espaço o que os torna
verdadeiros senhores de seus universos,
e até possuem poderes
bastante misteriosos
que se bem observados podem ser compartilhados
plenamente com seus leitores....
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
A caçada, um novo personagem - notas da autora
Maria Melo se prepara física e
psicologicamente para compor
seu novo personagem.
Vai busca-lo mar, no meio de algumas
pessoas,isto é, quando ele sai pra caminhar.
as faces destas mesmas pessoas discontraídas
trazem o perfil,
não escrito mas o impresso...
deste personagem, ainda
às ocultas da vida.
Nit deverá sair
da cara de pessoas muito comuns, conhecidas ou
estranhas que estarão na praia...
Agora, nesta semana.
Também ela decide alertar seus leitores
sobre o perfil de Nit
o personagem em fase de criação
cuja natureza será mais pura,
mais sincera, possível,
e que Nit terá a prioridade
de listar e ordenar os demais personagens,
que compõem o universo imaginário e real
de roteiro para cinema um filme de amor.
O trabalho de Nit será apenas surpreender,
não com estupendas ações,
mas com o simples, o cotidiano,
o inevitável.
E Nit que ainda não nasceu, deveras
já tem fãs e admiradores,
tem estudiosos à sua espera.
Nit será rodeado e amado,
a autora já o conhece e promete a ele,
boas escritas, nada alem pode dar.
Promete a ele um fã club
com mais de um admirador e pra ele
basta já que é apaixonado pela vida, e
o simples fato de existir e se tornar
amado lhe concede grandes e
inestimáveis alegrias.
sábado, 16 de janeiro de 2010
Dona Joanita e o golpe da salvação. Conto
Este é para o desespero da morte.
Este é para mudar a sorte,
para espantar o forte.
Este é para uma tempestade iminente.
Não pense, não corra, voe.
Pé aqui, joelho lá,
os olhos no lugar. Olha a posição correta, nem
um pequeno músculo rebelde.
Ele, o mestre Gavião, pegou um giz,
desenhou no chão, uns pontos
brancos, num plástico negro.
Dona Joanita olhou, nem pensou em entender...
Pé aqui, joelho lá, mãos atentas,
não corra, não pense, voa.
Nunca vou querer saber isto, disse ela para si mesma.
só estou ouvindo por mera delicadeza.
Gavião lhe deu uma olhada de águia.
Não gosto de perder tempo não vou contar outra vez.
Não é para o tatami, nem para a rua,
não é para inimigo,
é para perigo.
Não é golpe é magia,
não é força, é quase uma fantástica poesia.
Dona Joanita tinha que ir embora, quase para todo sempre,
mestre Gavião vive sempre muito alto,
além dos vales das lágrimas,
e até dos telhados.
Restava-lhe só o abraço da partida,
e saber que nunca mais o veria na vida.
Hesitou e abraçou, abraçou e se dividiu.
Estava novamente só.
E lá no antigo retângulo, havia
um quadrado bem pequeno, de mesmo ângulo,
que precisava ser desfeito,
Dona Joanita invocada com aquela geometria,
decidiu roer por baixo
os tijolos que por ali se erguia.
Fez com a marreta um buraco em desalinho,
na primeira parede, e entrou no tal quadrado,
uma lage de concreto no alto,
suportada pelas paredes estava sobre ela.
Estudou a simplória construção...
tijolos fortemente ligados por concreto,
lage pesada de teto.
quatro paredes, um burado no plano do chão.
onde posso quebrar e por abaixo
este lixo indigesto...
Resolveu quebrar tijolos na parede de frente
para o primeiro buraco...
Pegou um banquinho e sentou-se para ficar mais confortavel.
Quebrou, quebrou, o cimento e cao espalhou pelo ar...
sufocou... Levantou-se. estudou de novo.
Longe estava aquela pequena construção de desmoronar-se.
Desanimou... Mas os buracos na parede,
pequenos, porém o peso da lage... mudava a cena.
Lembrou-se de seu mestre Gavião... Imaginou que
se ele pudesse estar ali, estaria sentado
à sua esquerda, olhando:
se preparando para vê-la morrer.
Se acaso aquela lage viesse ao chão, de repente.
Então ela ouviu ele dizer... Você morrerá.
Não há outra lei... a lage cai e você morre em cima do baquinho.
Velozmente ela jogou o banquinho para fora e saiu.
Olhou, olhou de novo e não viu perigo.
Mas lembrou: pé aqui, joelho, lá,
outra perna cá, mãos atentas...
não corra, não pense, voa.
Pegou a marreta e pisou nos pontos brancos,
no plástico negro do mestre gavião...
com sua mente
o pé, a perna, a mão, a atenção:
bateu a marreta muitas vezes...
até que viu um pequenino e misterioso tremor
em dois centimetros quadrados de concreto e tijolo:
Dona Joanita não correu, não pensou, voou
enquanto voava com os olhos na nunca,
via o fim do mundo, uma lage de 4 metros quadrados
voava atras dela... o tempo era muito menos
que qualquer parte de um segundo.
voou aproximadamente 5 metros, quase nada
quando tirou seu pé do chão para dar o último passo
sentiu uma fisgadinha no calcanhar e caiu.
Caiu com o peito no chão, os braços estendidos
Não conseguia respirar...
Enquanto voava via o grupo de altos religiosos
com uma especie de horror nos olhos.
Estavam do outro lado do rio, havia uma ponte...
ninguem teve tempo de pensar em dar
um único passo:
Também ela via o mestre Gavião, sentado tranquilamente,
no seu banquinho...
não moveu nem um dedo, nem um sussurro.
Também viu muitas crianças brincando ali por perto,
alegres ... embora aquela dia parecia bem escuro.
Depois de alguns segundos ela levantou-se:
Ouviu aplausos, viu risos e risadas, eram os religiosos,
aliviados... vieram ver a lage de concreto
no chão, meio despedaçada mas ligada
pelos ferros retorcidos...
Ela Joanita estava pálida...
sentou-se no mesmo banco onde Gavião estava,
ele já não estava,
ficou chorando, sem lágrimas,
questionava muito... estaria ela ainda viva...
ou ainda morta.
Mãe, no que você está pensando... porque está triste!
Como é bom ver estas crianças brincando...
distraídas, pelo menos agora mais livres do perigo.
Dona Joanita e sua segunda lição: A rua - conto - Maria Melo
Seis meses na faixa branca de brincadeira,
nunca conseguiu dar uma boa chutada no peito de ninguém.
Tinha medo que seus pés se enfiassem no coração de alguém.
e ferisse a ferida aberta e imortal do bem e do mal.
Fugiu, não queria bater e nem apanhar.
Mas aceitou as três lições que já estavam pagas.
A próxima, era então na rua, inesperada.
Mestre Gavião tinha muito poucas palavras,
um olhar sem definição artística. Uma mímica
antiga e pesada que se compreendia por si mesma.
Dona Joanita esquecia-se de sua condição de aprendiz
e saia pela rua olhando lojas e vitrines,
rostos abandonados naquelas tardes de neblina e frio.
Reparava em tudo, nos passos mudos e vazios,
dos homens seguros, de suas longas e cansativas caminhadas,
em torno de si mesmo, sempre a esmo,
sempre no escuro do mundo.
Encheu sua grande sacola
de sapato, tamanco de madeira pura,
um pesado guarda chuva, todo dia chove,
mais alguns outros objetos, não nomeados,
Subindo a rua, a tona, seus pensamentos,
lado a lado com milhões outros tantos, ignorados,
o que as pessoas pensam enquanto caminham...
se pudessem ser materializados...podia ser a ruina.
Sua bolsa de documentos pendurada no ombro esquerdo,
sem dinheiro, sem nada que importasse realmente,
na mão direita, a sacola de objetos quase se arrastava pelo chão.
Alguém veio em sua direção:
como um vento ruim, grudou na sua bolsa
puxando sem parar... dona Joanita
se aterrorizou... Um roubo a mão desarmada.
Virou noventa graus a sacola para tras
e veio trazendo suavemente para frente,
em câmera lenta, mandou os tamancos de madeira,
bem no meio da cara...do polenta.
O cara caiu de pernas enroladas para o ar,
o fundo da sacola arrebentou-se... abriu
uma parte dos seus pertences,
voou no meu dos carros, sumiu.
Dona Joanita olhou para a rua e os carros,
queria apanhar seus negócios, cuscou caro,
mas ela era meio covarde, nesta hora,
se aproveitou, o cara caído,
os braços cruzados na cara,
choromingado feito arara,
ela com o guarda chuva,
ainda avançava mais, sobre ele se curvava,
dando-lhe guarda chuvadas...
Foi chegando gente,
-Esta dona está me espancando
com um pedaço de ferro,
-Ele tentou roubar minha bolsa...
-Não fiz nada por favor , chame a polícia...
A plateia ficou imóvel... Dona Joanita percebeu
que estava batendo num homem indefeso,
parecia um criancinha com medo,
Os olhos aterrorizados do homem
que tentara roubá-la
não eram compatíveis com a imagem do seu espelho.
De repente ela ouviu a sirene. Era a polícia. Ela saiu correndo,
empurrando a multidão, ninguém tentou detê-la,
nem mesmo lhe passou um pernada,
ou braçada. Ela fugiu, o homem ficou caído no chão:
Será que ele vai morrer meu Deus,
Uma tamancada no lugar errado, ou certo, pode matá-lo,
mas quem mandou tentar me roubar...
A verdade é que Dona Joanita hoje prefere
caminhar sobre as águas
do que usar tal tamanco...no seu solado.
Chuta, chuta forte, meu peito, diz o homem,
isto é carinho, dona
bate, bate mais
a senhora não sabe o tanto que eu apanho,
nem o tanto que eu choro!
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Dona Joanita e o Mestre do Karate - Golpe da salvação - conto - parte II
Prepara-te primeiramente para vê-lo:
Ver a lição que vou te dar.
Mestre Gavião abriu a porta,
Faixas pretas, marrons... que pessoas mal encaradas!
Dois dos meus melhores vão enfrentar o búfalo negro,
Veja, lá está ele, vem dando passos, na direção
dos meus melhores, sinta o seu olhar,
pressinta os seus músculos:
Joanita olhou, olhou e nada, nada mesmo entendeu.
Enquanto olhava o búfalo, também olhava os faixas pretas e marrons,
concentrados nos seus objetivos.
Um urro dele paraliza os músculos de todos na sala.
Ninguém se atreve... mas hoje terão que se atrever.
porque ele não vai urrar, nem paralizar ninguém.
e Você minha querida Joanita vai ter que
enfrentá-lo!
Então me dá uma metralhadora,
que eu mando uns tiro, mas não vou chegar
perto daquilo.
Eu te ensino como derrotá-lo,
Ela riu... e porque você (me desculpa qualquer falta de intimidade)
não o derrota... Não posso, disse ele, o mestre Gavião,
sou lenda e lenda não se destroi, não se mata nem tão pouco, se morre.
E como pretende me ensinar em dez minutos
como derrotar o búfalo...
Primeiro, veja como ele luta,
veja os dois melhores,
se vencerem, você não precisa enfrentá-lo,
se forem vencidos, você precisará.
Um pesado silêncio na sala,
só os olhares arrebentavam as paredes
ela pensou num embate sanguinário,
cheio de estrondos de cinema e música é claro.
Búfalo negro era uma rocha viva
os outros dois, tinham igual postura, força viva, cativa,
estavam prontos pra qualquer loucura.
O que faço então... é no pé e na mão,
no ar e no chão!
Cai, cai balão, na palma da minha pão...
Assobiu suavemente a velha canção,
o poderoso mestre Gavião.
Joanita olhando o embate:
O primeiro chegou, ela não viu nada, nem um movimento,
ele o pegou por um único dedo e ele voou.
Não queria outra. Era só uma.
O segundo, ela também não viu nada,
só ele brincando de nana nenê,
bracinho e pernina em pirâmide
quietinhos no chão.
Depois olhou para Joanita, era uma piada,
teve o pior dos sentimentos de perda,
de fracasso, de pesadelo que um búfalo pode ter:
Ele não machuca ninguém, é absolutamente complacente,
parece que põe pra dormir e sonhar,
seus bebezinhos impertinentes.
Qual é o seu ponto fraco...
Quem sabe era cedo demais, quem sabe ela adiantou os ponteiros,
mas simplesmente passou as mãos pequeninas e suaves,
nas solas dos pés dele...
e que se sensação agradável, voar pelos ares,
com uns carinhos tão inesperados,
em tão inapropriados lugares.
E búfalo negro caiu... Foi o maior estrondo.
nada e nem ninguém rugiu,
só o silêncio medonho.
Ela correu: e se ele não me perdoar e me atacar...
Não pode... ele tem medo de você...
Não fiz por mal, nem pela força,
Nem sou capaz de fazê-lo de novo!
Se defendeu.
Búfalo se levantou olhou para Joanita
e ela nunca saberá o que ele viu.
Todos se retiram, o mestre gavião ficou
sozinho com ela e disse:
Gostou da lição...
Terror puro. Nano terror. Respondeu.
A segunda não será no tatami. Fique atenta,
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