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terça-feira, 27 de outubro de 2026

Dona Ludu

 Dona Ludu

me contou que

O amor sempre é uma doçura

que salva o corpo e alma

de qualquer loucura,

de qualquer amargura.


Foi assim comigo no milenio passado

la  na Russua, disse-me...

Não me lembro o lugar.

Não era  um lugarejo, era um matagal

e o quintal do matagal 

era uma imensa floresta.


Que é só um  cantinho de toda

aquela terra

debaixo do  cristal do céu.


Minha mãe e eu, sozinhas 

e alguns bichos, muitos deles inóspitos.


Não havia visinhos

por onde o raio da vista e das pernas cruzava.

Havia muitos passarinhos,

e muitas histórias contavam.

Nenhuma de gente que eu me lembrasse.


Um dia, minha mãe morreu.

Mas antes de faze-lo pediu  que eu procurasse

um homem e me "casasse".

Não deu tempo de perguntar onde,

mas ela também não sabia,

porque não me lembro de nenhum deles por la.


Deixei-ali mesmo onde sempre vivera

E decidi correr o chão...

procurar um  homem. Ja estava muito velha

e com medo da solidão.


Andei por tempo indeterminado,

incontáveis dias. Não tinha espelho

 ainda mais do ja era, envelheci.


Inesperadamente, me deparei

com uma destas criaturas que eu só sonhava,

Ele era muito bonito e disse... Pode ficar.

Venha conhecer as minhas terras.


Encontrei um homem... muito menino,

muito lindo, sem palavras bonitas,

mas tinha muita terra e muita plantação de variadas  frutas.


Me mostrou toda a terra que ele tinha

e toda sua linda plantação de frutas...


Fiquei muito feliz.


Perguntei onde era a casa.

Não tenho. Durmo naquela árvore...

Estava cheia de coisas penduradas nos galhos,

Não eram frutos naturais, era o fruto humano,

as coisas dele. Mas agora vou fazer uma casa,

dificil você dormir na árvore.


Então ele começou a catar galhos pelo chão das terras.

e leva-los para um canto. Me mostraria a casa

depois de pronta... Também fui catar galhos pelo

chão e amontoá-los nos cantos..


Demorava demais então, não sei de onde

surgiram muitas crianças pequenas e fortse para ajudar,

todas levavam galhos.

Todas brincavam e riam.


Perguntei para ele quem eram aquelas crianças,

se eram suas...Não...não, nem as conheço. Respondeu.

Pensei que fossem suas... Chegaram junto com você.


Assim, com ajuda a casa ficou pronta.


E fui conhecer...e Só ele sabia como eu era.

De cara... eu me imaginava. Apenas.


A casa era só uma cama... feita de muitos galhos

e muitas folhas verdes, secas, cascas, enfim

era só um lugar para curtir as terras.


Então, exclamei,  sem pensar:

Tenho medo de bichos. Vão subir na cama

e dormir junto comigo.

Ele me disse: Isto doeu.

Este sou eu. Faço tudo que posso

por você... até uma cama

que  nunca fiz  só para mim.


Examinei... A cama estava ao pé da sua árvore.

Mas vou estar aqui.


Fiquei com medo dele também.


Mas Aquela terra,

aqueles galhos, folhas secas e verdes,

os frutos e o riacho, os bichos,

as matas e montanhas

e aquele homem estranho

era tudo que eu tinha no mundo


Eu que estou escrevendo 

Conheci Este Homem descrito aqui

por dona Ludu e claro, também a conheci.

Tudo com o mínimo de detalhes

e compartilhado por mim,

igualmente com o mínimo 

detalhes mas

que encantaria qualquer mulher,

não pelas terras...mas porque  viveram

um grande amor,

muito alem das boas condições.

Não sei de suas horas dificieis

de suas horas prazerosas,

só sei naquele canto,

além do canto,

tinha  também  o perfume das rosas.


Ambos vieram para o Brasil...

Aqui ainda estão  seus descendentes.

Ambos já morreram a muito tempo.


Dona Ludu e seu marido

visitei apenas uma vez,

me deixou muitas histórias.













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