Dona Ludu
me contou que
O amor sempre é uma doçura
que salva o corpo e alma
de qualquer loucura,
de qualquer amargura.
Foi assim comigo no milenio passado
la na Russua, disse-me...
Não me lembro o lugar.
Não era um lugarejo, era um matagal
e o quintal do matagal
era uma imensa floresta.
Que é só um cantinho de toda
aquela terra
debaixo do cristal do céu.
Minha mãe e eu, sozinhas
e alguns bichos, muitos deles inóspitos.
Não havia visinhos
por onde o raio da vista e das pernas cruzava.
Havia muitos passarinhos,
e muitas histórias contavam.
Nenhuma de gente que eu me lembrasse.
Um dia, minha mãe morreu.
Mas antes de faze-lo pediu que eu procurasse
um homem e me "casasse".
Não deu tempo de perguntar onde,
mas ela também não sabia,
porque não me lembro de nenhum deles por la.
Deixei-ali mesmo onde sempre vivera
E decidi correr o chão...
procurar um homem. Ja estava muito velha
e com medo da solidão.
Andei por tempo indeterminado,
incontáveis dias. Não tinha espelho
ainda mais do ja era, envelheci.
Inesperadamente, me deparei
com uma destas criaturas que eu só sonhava,
Ele era muito bonito e disse... Pode ficar.
Venha conhecer as minhas terras.
Encontrei um homem... muito menino,
muito lindo, sem palavras bonitas,
mas tinha muita terra e muita plantação de variadas frutas.
Me mostrou toda a terra que ele tinha
e toda sua linda plantação de frutas...
Fiquei muito feliz.
Perguntei onde era a casa.
Não tenho. Durmo naquela árvore...
Estava cheia de coisas penduradas nos galhos,
Não eram frutos naturais, era o fruto humano,
as coisas dele. Mas agora vou fazer uma casa,
dificil você dormir na árvore.
Então ele começou a catar galhos pelo chão das terras.
e leva-los para um canto. Me mostraria a casa
depois de pronta... Também fui catar galhos pelo
chão e amontoá-los nos cantos..
Demorava demais então, não sei de onde
surgiram muitas crianças pequenas e fortse para ajudar,
todas levavam galhos.
Todas brincavam e riam.
Perguntei para ele quem eram aquelas crianças,
se eram suas...Não...não, nem as conheço. Respondeu.
Pensei que fossem suas... Chegaram junto com você.
Assim, com ajuda a casa ficou pronta.
E fui conhecer...e Só ele sabia como eu era.
De cara... eu me imaginava. Apenas.
A casa era só uma cama... feita de muitos galhos
e muitas folhas verdes, secas, cascas, enfim
era só um lugar para curtir as terras.
Então, exclamei, sem pensar:
Tenho medo de bichos. Vão subir na cama
e dormir junto comigo.
Ele me disse: Isto doeu.
Este sou eu. Faço tudo que posso
por você... até uma cama
que nunca fiz só para mim.
Examinei... A cama estava ao pé da sua árvore.
Mas vou estar aqui.
Fiquei com medo dele também.
Mas Aquela terra,
aqueles galhos, folhas secas e verdes,
os frutos e o riacho, os bichos,
as matas e montanhas
e aquele homem estranho
era tudo que eu tinha no mundo
Eu que estou escrevendo
Conheci Este Homem descrito aqui
por dona Ludu e claro, também a conheci.
Tudo com o mínimo de detalhes
e compartilhado por mim,
igualmente com o mínimo
detalhes mas
que encantaria qualquer mulher,
não pelas terras...mas porque viveram
um grande amor,
muito alem das boas condições.
Não sei de suas horas dificieis
de suas horas prazerosas,
só sei naquele canto,
além do canto,
tinha também o perfume das rosas.
Ambos vieram para o Brasil...
Aqui ainda estão seus descendentes.
Ambos já morreram a muito tempo.
Dona Ludu e seu marido
visitei apenas uma vez,
me deixou muitas histórias.
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