terça-feira, 9 de agosto de 2011

implicito



O verde se sustenta
 também do bicho.
Quem come o verde,
come o vermelho,
nele implícito.

Verbo Amar



ele foi bom para mim, muito
emprestou-me sua força

Fui boa para ele,
servi-lhe meu pão.

Fomos bons
um para o outro,
mas não fomos bons o bastante,
para ficarmos juntos.
Fomos pouco.

Amor não é troca,
nem de carinho, nem de bens, nem de sorte,
É um "me dou em doação,
sem prévia negociação.

 é um bem pessoal, intransferível
na sua essência...
que surge na própria fonte da vida,
que se alimenta e se sustenta dela,

porem após a vida,
ainda tem o dom de persistir, de insistir...
resistir, de sofrer
de modo real as perdas, as ausências,
que o verbo amar conjuga
por toda a existência.

caminhos



Vai poeta,
topa o mundo,
peito a peito,
desembaraça o passo,
enlaça os braços...

e deixa o coração disparar...

balas doces,
nas linguas amargas,

e por encanto
fica bonito,
porque poetar tem que ter beleza,
pode ser feio, veio e careca,
não precisa
ser gisele  e nem bandeiras....

mas tem que ser você...
na essência das essências
além da palavra,
tem que ter lavra,

coração em brasa... ardente.

Sai da casa caracol
do seu  verso   universo,
cai na orgia do pluriversilismo
dos raios de sol líricos
lírios dos lírios,
nos delírios das multidões
que perambulam  os sonhos.

Deixa sua tristeza morrer a mingua,
na língua a paz dos dias que segue
e do coração bem leve,

não negue o  dom de poetar,
nem a alegriar de viver,
porque poeta  chora sua morte,
perde sua sorte...antes mesmo de jogar.
e se não morreu até agora,
poeta, não morrerá
por mais que faça por morrer!

recordação

Se dava pleno tonto sem demora
mais que relógio ponto pronto
para as senhoras rochechudas
e as magrelas sem hora.

depois estragou-se, lijongeiro
virou objeto de estimação,
estragou-se  bem nos ponteiros,
sem minutos, segundos derradeiros.

Nascimento da primavera

O mago
com seu tenue véu
peneira o rio
da nuvem
e tece o algodoal do céu
em fio
numa finíssima chuva...

A sinfônica harmônica
das gotinhas sobre o templo
traz o sono, o sonho,
a flor do tempo
sobre a terra
num arco iris de flores
 chuva de primavera.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Paixão Terra Mar

A montanha apaixonada
se sentou na beira do mar
seus pés e pernas de pedras
enfiou dentro das águas

Cabeças e braços ao leo
entranhas extranhas ao céu,
a montanha sentada,
apaixonou-se pelas águas do mar

A chuva que vinha do céu
mal sequer lhe respingava,
fugia pelas escarpas de véu,
pra junto do abismo das águas.

E quando o mar enche
as ondas furiosas  crescem
se atiram contra seu ventre 
a lamber lhe as entranhas de pedras.

Almeja sua meduza obtusa
no rodopio dos tempos
o abraço mais profundo,
de todas as águas do mundo,







domingo, 7 de agosto de 2011

Monólogo do porquinho


Na beira do rio, na chuva
o porquinho saiu da casinha
ao ouvir o zumzum do povo.

Liguei a filmadora e fiz uma rápida imagem.
depois me distrai com a conversa das pessoas
com o rio  revolto e sua   paisagem.

Fui sozinha para uma sala,
meu casaco molhado pendurei na cadeira,
e a mochila na mesinha ao lado...

O porquinho chegou
sem cerimonia   na sala entrou:
hon hon hon.... hon hon  hon hon confabulou seu monólogo.
fucinhou de leve meu casaco molhado
enquanto eu vestia o outro,
cheirou a máquina filmadora,
olhou-me  e me ameaçou:
chegar mais perto,

- Ora porquinho gordo, te cuida comigo,
senti teu cheiro  com muito tempero no restaurante da praça...

posso lhe parecer amigo mas amigo de verdade, porquinho
aqui  não acha!

hon hon hon hon hon hon hon murmurou
meio sem graça e se afastou
se enfiou na casa e não voltou.

depois fui ler o bilhete que ele me deixou:

Sou seu porquinho gordo,
sem engodo meu cheiro com tempero lhe seduz...
deixo seus filhos mais saudáveis e felizes
mas é dificil carragar a cruz
sem promessa de cristandade
nem da caridade, da claridade
de uma tênue luz

nós porquinhos somos pagãos,
não temos um tostão para gozar a vida...material
pois não temos ensinamento espiritual...
Ah... me esqueci.... falo pelos outros
que são mais mudos que eu, também são surdos...
e só pertecem ao reino animal

cabritos, carneiros, bois, coelhos,
peixes, perus, patos, terneiros,
e outros comestíveis  companheiros,
que não tem o céu para alcançar.

nem a esperança da prece para
a dor amenizar e não fazemos o mal
somos considerados e deveras inocentes...
pense: Que foi que fizemos
de mal para  toda esta gente...

servimo-nos de sagrado alimento,
já que seu sustento tem que ter proteina viva...
cheia de sangue se não amarelam
e ficam inertes, fracos e exangues...
morrem e se decompõem todos
no mesmo lodo no mesmo mangue

queremos: É nosso alvo:

que  este filho pródigo da natureza,
que arrastou as pedras edificou montanhas,
se salve desta eterna peleja
que sua vida efêmera  arrebanha.

Damos o bom torresmo,
toucinho e gorda  banha.

Aproveito a sublime ocasião,
da visita da nobreza da terra,
para pedir  neste momento de trégua
desta eterna guerra

uma fantasia que temos
como deve ser bom morrer sem dor,
sem agonia...
pedimos aos doutores...
uma divina dose da anestesia.

O estranho

 Aquele que me é estranho Me são estranhas suas lágrimas. Até posso vê-lo como uma rosa que se orvalha. Não entendo sua dor nem do coração n...