domingo, 6 de junho de 2010

Mulher antiga


Antigamente era assim:
Ele recebia noticias dela e nem a conhecia ( noticias virtuais, nem foto tinha)
É moça direita. Ponto final.
Ela ouvia falar dele vagamente.
É trabalho, ou moço de familia.
Então os dois gostaria de ficar sozinhos. Tirarem suas roupas
e descobrirem os segredos do corpo (tentar, não conheciam detalhes do corpo alheio
e nem mesmo peculiaridades e importantes funções do próprio corpo
(mal ouviam contar estórias sobre a ladainha dos corpos)

Ele tomava a decisão:
Ir na casa dela, falar com o pai dela ( mãe não dava palpite, nem ela também.)
Ele foi. Se tinha um sobrenome e uns bons trocados, valia um jantar.
se não era tratado de cara feia ( mesmo por quem só puxava o gato pelo rabo).

Ela tinha l5 irmãos, os pais, os avós, 7 tios, alguns primos, ainda uns chicretes
colados neles e todos jantaram juntos, sentaram na sala juntos conversaram juntos, foram para a varanda juntos,
e se despediram no portão juntos. ( ficar sozinhos, só depois de casados à papel.)
Mas ele e ela já tinham trocado olhares secretos e queriam muito isto
já estavam desde outra encarnação sozinhos, credo.

Ele a tinha pedido em casamento. Ela concordou sem sorriso mas cheia de contentamento.
Bom, comunicaram a vontade dos dois às autoridades civis e religiosas do planeta,
convocaram uma grande plateia e realizarão o ritual do casamento.

Tudo foi perfeito: Ficaram sozinhos, por 60 anos, juntos e tão sozinhos que
fizeram l4 filhos e nunca mais ficaram sozinhos de novo, porque esta prole
se multiplicava continuamente.

Ele já cruzou os 80 e ela está cruzando.
Disse-me que se Deus tivesse outra vida, não queria,
que se não casasse com aquela mulher, jamais se casaria com outra
que se ela o deixasse, ficaria sozinho para sempre,
"Não há outra igual a ela, disse ele " Marido mais melhor que este não existe, disse ela."

Depois desta imensa complicação os homens resolveram simplificar as relações:
Para se ficar sozinho com alguém e tirar as roupas e fazer aquelas coisas,
não se precisava pedir a ninguém, nem comunicar a autoridades,
nem fazer ritual, nem chamar os amigos e gastar a festa.  Era só escolher um motel
escolher a moça, nem precisava ser  muito direita
e passar seis longas e interminaveis horas no motel
gastar uma montanha de dinheiro e outras reservas do mês
Assim o motel entrou em alta. Era Xiq e nem precisava escolher,
bastava dizer o nome do motel para se entender que
era um cara bom.

Mas vieram os inimigos do motel, amigos de Deus e da  preservação
dos paraisos pessoais, pertencentes aos criadores.
Primeiro a camisinha de força, de forca,
o estrangulhou. Depois veio o golpe final:
A orgia frenética do futebol...

Aqueles grandes e possantes  Deuses, gregos,  troianos,
romanos, fenicios, egipcios e até os modernos anglicanos.
em selvagem combate corpo a corpo
brincado com a bola...
Semi nus no palco levavam os homens ao delirio,
esqueciam o motel e ela, principalmente ela,
que passava 3 horas na frente do espelho,
brigando com suas rugas para competir com o futebol.
No campo iam todas as reservas do mês,
dinheiro e gritaria, tempo e disposição,
chegavam mortos de cansados e tristes ou eufóricos,
caiam na cama e dormiam angelicalmente.
No dia seguinte, na semana seguinte,
estavam ocupados com os próximos embates.

Isto tudo gerou insatisfação...
ela foi ficando cada vez mais longe, longe, longe,
ele parecia não ligar,
ela ligou a tv e via todos os filmes,
se apaixonava pelos atores e ele, bom sempre tem outras coisas para fazer.

Quando perceberam tudo já estavam sozinhos,
cada qual com seu armário de coisas,
a chave, ( trauma de antigamente) e isto parece bom.
ser livre mais que livre independente.

Um dia ele ficou com saudades, ela também.
até chorou. Ligou para ele e disse: venha urgente, por favor,
ele disse vou, meu amor.

Correu para o computador e o ligou
pensou que ela faria o mesmo e  ela fez.
mas correu para o espelho... demorou 3 horas para voltar,
e quando voltou estava linda
para o seu cantinho preferido o msn!

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Apresentando o cupido ( Maria Melo)


Ele tinha seis namoradas.
Todas raposas caçadoras.
Ele reclamava delas. Eram lindas.
Ele gostava de todas.
Mas vivia muito só. Não as entendia.
Elas também não o entendia!

Um dia bateram ( mãos) à porta,
ele alinhou os olhos mágicos e olhou curioso,
lá de dentro para fora,
sem visitas aquele dia, não estava  bem disposto.
Enquanto examinava a bizarrótica criatura plantada
do lado de fora ele
perdeu o medo e esqueceu os velhos cuidados,
ensinados por sua avó e abriu a porta:
Antes que ele perguntasse qualquer coisa,
a criatura disse: posso entrar... foi entrando.
Já estava dentro. Ele ainda deixou a porta aberta
e ficou parado segurando o trinco,
até pensou que ela iria logo embora
mas a criatura sentou-se
no sofá com uma estranha sacola no colo.

Dentro da sacola, uma peça ainda mais estranha,
maior que a sacola, deixava ponteiras para fora.
Ela disse: sou isso sou aquilo, mais isso, menos aquilo,
se me der um copo com água eu prevejo seu futuro.

Ele não entendeu mas percebeu que ela tinha sede.
Pegou água para ela ( a criatura)
Vou ajudá-la disse ele, bebeu antes
um pouco da água do copo e depois
deu-o para ela. Bebi um pouco para ajudá-la,
porque sua chance de descobriu o meu futuro,
está na casualidade de eu querer saber o seu
passado.

Tão logo ele abriu a janela parece que ela percebeu que era dia,
dia claro e logo o convidou para sairda sala.
Vamos lá pra fora, disse ela,
se não for comigo, não saio mais daqui.

Desesperado ele decidiu sair lá fora com ela
pelo menos a colocaria longe da casa dele novamente,
e a deixaria lá por milênios se la insistisse

O que pensariam as pessoas ao ver aquela
bizarrótica criatura na sua casa e se ela não fosse mais embora...
e suas belas namoradas,
ele tinha bom gosto. Apreciava uma boa beleza.
e amava acima de tudo a sua liberdade.

Ela a bizarrótica criatura estava louca para ir embora,
assim que ele abriu a porta, pulou porta a fora,
e ele também.

Sairam os dois sorrindo. Estava cada qual ao seu modo muito feliz.
Ela tinha conseguido entrar, ele tinha conseguido
faze-la sair.

Lá na rua ele mal se aguentava de contentamente
então ela disse: Por favor poderia me conceder uma foto...

Foto.. só se for de costas e de capa, tava frio.
Ui!!!!! exclamou ela, que pessoa! quero uma foto da sua cara,
dos seus olhos, nem precisa ser então da cara...
Olhe para mim, um momento, vou arrumar minha máquina.

Ele sentou no banco da praça, estava tão feliz que até  ensaiou um sorriso,
enquanto ela virou de costas para ir mais longe,
foi subindo numas escadas lentamente,
Ele tão surpreso que não conseguiu ter um único pensamento lógico
naquele bizarro momento.

Ela subiu a escada e começou a abrir a sacola tirou de
lá uma coisa estranha, nada parecido com uma máquina
fotográfica, mas ele estava longe e por mais que estranhasse,
não achou nada estranho... Fazia pose para foto,
e ela fazia pose para fotografar,

Que Susto! Quando ele viu a flecha já estava voando
no ar  e só viu mesmo que acertou o coração.
Ai sim, ele apavorou-se com a dor no peito.

A criatura vinha vindo. A sacola no ombro,
sorrindo. Tirei sua foto.
Mentira sua! Você me alvejou!
O que está pensando quer matar-me...

Pois saiba que não ando morrendo a toa.

Quem é você... ele criou coragem e perguntou.
Tá bom, já que perguntou antes de eu me ir, te digo.
Sou o cupido. Aliás pra você sou cuspido.

Ambos riam, é engraçado quando se encontra
algo mais pavoroso do que a si mesmo
era o que se passava na mente de cada um deles.

Você me flechou meu coração ainda doi.
Sim, mas deixamos as brincadeiras de lado e veja sua foto.
que foto... - a que acabei de tirar...
Não sou cupido, você está vendo coisas,
ou sentido coisas.

Ela a criatura pegou a máquina e começou
a mostrar as fotos para ele. Sim esta é minha foto
Mais surpreso ficou quando viu as fotos
de suas raposas preferidas. Raposas e não esposas.

Mas estas são minhas amigas... Sim
vou dar uma flechada em uma delas para ajudar você
e ter um amor.

Não!!!! tá louco, criatura, não quero um amor,
principalmente amor de cupido sempre famosos pelos enganos
e pelas malicias, muito obrigado.

Mas o cupido  tem ideias irremoviveis
(o diálogo em questão é imaginário, porque o cupido não fala, flecha)
Ele o flechado estava lá com seus botões incendiados,
e buscava uma solução rápido para aquele desconsertante
problema.

Assim pensou consigo mesmo, conversando quem sabe a gente se entende:
deixe me mer seu aparato de flechas
não acredito que  você seja mesmo um cupido de verdade,
e secretamente ele apertava o peito,
seu coração estava doendo.

foram andando para as escadas,
-Pois sou, posso prová-lo, vou flechar uma de suas namoradas,
ao acaso, você não precisa escolher gosta de todas elas
elas todas gostam de você, não é!

De jeito nenhum seu cupido. Não gosto  delas do jeito que você pensa,
são só amigas... não entende... entendo, disse ele,
mas posso mudar isto e transformAR em amor!

Mas vou lhe mostrar minhas flechas envenenadas e voadoras.
Sentaram-se alegremente nas escadas,
O cupido abriu a sacola e pegou a máquina de atirar flechas,
e começou a mostrar tudo para ele.

Eu olho aqui e vejo lá... tá vendo... são suas namoradas,
então pego a flecha afio, lambo e aponto e mando,
e flecha vai direto no coração!
Assim ela se apaixona perdidamente por você,
faz tudo que você pedir e nada pede, vira sua serva.

Mas e se eu não quiser... Ah...
tudo bem você já está flechado,
não pode escolher para você, muito menos para elas.

Deixe me ver se entendi esta armação:
Ele o cupido é meio gente, meio antigo, filho dos gregos,
do Olimpo e um nato trapalhão!

Deu as flechas para ele, nas mãos dele.
Esperto, não... pegou as flechas, arrumou
quase que imperceptivelmente, lambeu e mandou
no coração do cupido. De tão perto que foi,
o cupido desmaio...!
Quem disse que pimenta nos olhos dos outros não arde.

Pobre cupido
ainda hoje flecha por todos os lados,
por causa desta maldição,
procurando o que nunca tinha procurado,
sua impossível e inimaginável metade.

Clarividência... por Maria Melo


Clarividente não sou!
Mas se o elemento em evidência
for muito claro e evidente
posso ver, claro
e-vidente-mente,
através de obscura claridade,
as e-videncias, em clarividências do destino.

Meus Olhos ainda estão meio verdes,
acostumados a penetrar na escuridão do tal céu,
e ver estrelas, tantas quantas ele tiver,
a bilhões de distancias...
e até reconhecê-las em seus
passeios noturnos
podem naturalmente,
sem sacrifício paranormal distinguir
um rosto a 500 metros de distância
no meio de um milhão de pessoas
que mentira...! Nem pense nisto.
Assim como meu cérebro faz os mais complicados
cálculos matemáticos antes de
atravessar uma rua...ou antes
que caiam os primeiros pingos da chuva...

Clarividente, não sou, sou atenta.
mas isto tudo é conversa fiada!

Voltamos para a lei das probalidades.
Um simples encontro nas condições
em exame... numa rua como a rua das flores
na hora do movimento, no meio da semana...
sem chuva entre pessoas pre determinadas
tem 01 chance de acontecer contra
aproximadamente 25 "quinquilhões" de chances
de não acontecer.

Clarividente pra que...!
Se, às vezes, não consigo
nem ver o que está na frente do nariz.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

A saracura e o menino


A saracura na beira do rio
O menino a espia-la por entre as ramagens,
queria pegá-la!
A saracura andava a passos lentos
procurando uma saída...
o menino se aproximava sorrateiramente,
E as águas do rio  vorazes às vezes famintas
às espreitas, turbulentas.

Pobre saracura não sabia voar
e ouvia o menino dizer baixinho quase para si mesmo:
"Não vai voar, não voa não, a sa a cura não sai do chão"
E ela apressada... seu estranho piado
queria mesmo era chamar a mãe,
chamar o pai...
é isso que todo filhote de passarinho
faz quando cai do ninho.

Piava cada vez mais veloz
e seus passos quase paradas.
Precisava voar... o menino continuava a caminhar
cada vez mais perto das águas,

Ele queria pegá-lo, as águas queriam pegá-lo.
Eram dois filhotes.
Ele o filhote de saracura,
tinha caído do ninho e o menino
escapado do caminho,

De repente ela a saracura voou e pousou
longe das margens o menino se virou
e dizia baixinho
não vai voar, não voa não,
sa a cura fica ai no chão.

Ela cantou e cantou até todos ouvirem
A mãe não conhece todos os perigos
que rondam a vida de seus filhos,
mas tem prece em todos os lugares
e aparece quando alguém precisa.

A saracura disse ao menino:
você me ensinou a voar
você me obrigou a cantar,
você me fez te amar...

e voou muito mais para perto dele.

As lembranças da infância quase selvagem,
digo quase porque os bichos me domesticaram.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Às portas do paraíso...


Ainda era paraíso, me lembro bem.
Uma parte lá fora, outra parte lá dentro.
Os homens caminhavam ao redor, indecisos,
lá dentro as mulheres choravam também.

Por que ele por que eu,
se nada fizemos de especial,
nascemos aqui, desde que nos lembremos,
somos o que são todos os outros animais.

Por que eles também, se nada sabem,
nem das serpentes e nem das maçãs
são feitos de terra e zinabre,
e da luz que percorre as manhãs...

Não tem respostas, tem silêncio.
que sibila sobre os telhados,
mas todos somos inocentes,
até que sofremos o primeiro pecado.

Finalmente a verdade foi clara,
estes vão, aqueles ficam, ninguem diz nada,
elas correm, eles voam ao grande portão,
abraçar e beijar o ferro gradeado.

Suas bocas procuram o calor da vida,
suas linguas e dentes ferem as grades,
em ferro em aço, dormentes
se desespereram amantes ardentes.

A separação: finalmente separados,
finalmente livres, podem
voar outros descampados,
construir roças e criar filhos,
sem jamais serem lembrados.

Nem mesmo o abraço do Adeus,
o corpo escondeu no seu desejo
levar consigo na memória,
a saliva do último beijo.

Nada, tudo se apagou... ela ainda tentou,
milênio e milênios seguidamente,
tirar dele uma única lembrança,
e fazer-se feliz eternamente,

Mas paraíso é para isso,
separar o que surge unido!

VII campeonato mundial de hap ki do em Curitiba - artes marciais

O estranho

 Aquele que me é estranho Me são estranhas suas lágrimas. Até posso vê-lo como uma rosa que se orvalha. Não entendo sua dor nem do coração n...